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quarta-feira, 13 de julho de 2011 música | 17:48

Oito motivos para acreditar no hype

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O Horrors acaba de lançar seu terceiro disco, “Skying”. Está sendo bastante elogiado, o que não deixa de ser uma surpresa: os outros dois álbuns são igualmente recomendáveis, mesmo não tendo recebido a atenção devida.

Faris Badwan em show do Horrors - Getty Images

O que diferencia a aceitação de “Skying” para os anteriores é que, agora, o Horros é um nome relativamente estabelecida. Estão na estrada há seis ou sete anos; têm dois discos nas costas; seu vocalista já se arriscou em um “projeto paralelo ambicioso” (Cat’s Eyes, dupla que Faris Badwan, o vocalista, formou com a soprano Rachel Zeffira). Assim, o Horrors não é mais apenas “hype” – hoje, é seguro gostar, falar bem desse banda.

A ideia de “hype” não é nova, mas passou a ser discutida, “teorizada” e cornetada a partir do final dos anos 1990. Com internet/MP3/Napster/Audiogalaxy/torrents, um disco que demorava meses para ser ouvido/analisado tornava-se conhecido antes mesmo de ser lançado. Ganhava elogiosos comentários em sites, blogs, jornais. Mas… como alguém se atreve a falar bem de um grupo ou cantor que ainda não lançou nem um mísero EP?

Aí o “hype” tornou-se uma palavra maldita que alimentou boa parte da opnião crítica. A expressão passou a ser usada para classificar bandas “descartáveis”, que “não vão durar dois ou três discos”, que “copiam X ou Y”. É uma posição crítica conservadora, preguiçosa – e que não está presente apenas na música, como bem apontou o crítico literário Antonio Cândido, 93 anos, em sua palestra na Flip. Para Cândido, a “crítica literária brasileira não corre riscos, só analisa autores consagrados”.

É mais fácil analisar consagrados. Já foram testados pelo tempo, têm reputação conhecida. Com o novo, a chance de “erro” (descobrir-se uma voz dissonante; elogiar algo que, depois, não se estabelecerá; dar uma paulada em algo que, depois, será reverenciado) é muito maior.

Chega de balela. De volta à música pop. Abaixo, oito exemplos de nomes que foram hypados logo que apareceram. Com justiça?

Strokes
Os pais do hype moderno. Em 2000/2001, foram encampados pelo semanário “NME”, e ser encampado pelo “NME” não pega bem em alguns setores. A banda, diziam, era apenas uma cópia de Television e Velvet Underground. Será que “Is This It” era apenas “hype”?

Libertines
Seus dois únicos discos e os shows imprevisíveis são testemunhos deliciosos de um tipo de rock rápido, ingênuo, desconcertante, inquieto. Mas, para muitos, os escândalos envolvendo Pete Doherty diminuíam a banda.

Arctic Monkeys
Traziam uma linguagem fresca ao rock, com melodias quebradas, letras que traduziam perfeitamente o sentimento da molecada em “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”. Nada disso importava – eram apenas crias do “NME”.

CSS
Antes de lançar disco de estreia, já estampavam capas de jornais, revistas. Seus integrantes não sabiam tocar instrumentos. Os shows eram caóticos. Como falar bem dessa banda, questionava-se?

Oasis
A música? Cópia dos Beatles. As brigas dos irmãos Gallagher? Marketing. Muitos que tinham essas opiniões em 1995 consideram “Definitely Maybe” e “Morning Glory”, hoje, como excelentes. Mas eles já eram excelentes em 1995.

Odd Future
O nome do momento do rap. Tanto por suas letras agressivas como por seus shows furiosos e pelo comportamento errático de seu líder, Tyler, The Creator. Mas não se engane: a música é de primeira.

Joy Division
Foi capa do “NME” em janeiro de 1979 – cinco meses antes de lançar o primeiro disco.

Horrors
Com “Strange House”, de 2007, foram rotulados de “new grave” (rock melancólico, desesperado). Foi o suficiente para a banda ser tachada de cópia de Cure, Siouxsie etc. Mas estão ali joias soturnas como “Sheena Is a Parasite” e “Count in Fives”. “Skying” é tão bom quanto, ou ainda melhor. Abaixo, o primeiro single, “Still Life”. Aqui, dá para ouvir o disco inteiro.

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4 comentários | Comentar

  1. 54 Barbara Cristiane 19/08/2011 6:58

    é que, agora, o Horros é um nome relativamente ‘estabelecida’. Estão na estrada . . . . . . .
    Thiago, não percebeu no momento do cont C cont V a concordancia acima:
    feminino – estabelecida masculino – estabelecido
    Aprende cara ! ! ! ! !
    Já te falei pra quando comentar musicalmente tem que ter bagagemmmmm; ¶ ¶ ¶

  2. 53 Thiago Giglio 14/07/2011 18:54

    Fala Thiago,

    As brigas dos Gallaghers eram mais reais do que se imagina. Quando masterizei meu disco com Ian Cooper ano passado, ele disse que a primeira coisa que Noel Gallagher fez quando chegou ao estúdio para a primeira master, foi chamar ele de canto e dizer: “Às vezes eu e meu “bro” brigamos feio, mas isso é normal e acontece muito….por favor não pare o trabalho por isso, ok?”

    Abs!!!
    T.G.

  3. 52 Cleiton 14/07/2011 15:04

    Bom, os discos também foram resenhados nos Estados Unidos, pelo menos (Rolling Stone, Spin, Pitchfork, Prefix, e a Nylon, que eu mandei o link separado da edição que eles foram os “garotos da capa”). E por conta do segundo disco (ou seria por conta do Mercury Prize?), chegaram “até” a sair na Folha: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u601944.shtml

    Creio que na verdade no segundo disco eles já tinha se esquivado um pouco do “hype”, vendo esse material.

  4. Thiago Ney 14/07/2011 11:29

    cleiton,
    os dois primeiros discos foram elogiados por veículos britânicos. o horrors virou “hype” e, por isso, o grupo não recebeu a devida atenção em outros lugares. abs

  5. 51 Cleiton 13/07/2011 19:53

    “os outros dois álbuns são igualmente recomendáveis, mesmo não tendo recebido a atenção devida”

    http://www.metacritic.com/music/strange-house/critic-reviews

    http://www.metacritic.com/music/primary-colours/critic-reviews

    http://www.nylonguysmag.com/radar/music/their-dark-materials/

    http://br.zinio.com/reader.jsp?issue=416085571&o=ext

    Não receberam atenção de quem? A crítica lá fora pelo visto nunca deixou de acompanhar o trabalho deles. Para mim ficou parecendo muito mais uma mea culpa por nunca ter falado sobre a banda aqui, utilizando o “amadurecimento do hype”, desconsiderando o fato de que um artista pode ser hypado e mesmo assim ter um trabalho já maduro.

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