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Arquivo de setembro, 2012

terça-feira, 25 de setembro de 2012 música | 17:58

Em entrevista, Metric fala de Lou Reed e de como a banda tenta soar diferente

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“Chega a ser ridículo apenas ter a ideia de ter Lou Reed cantando em uma de nossas músicas.” Assim o guitarrista James Shaw descreve a apreensão que tomava conta dos integrantes do Metric antes do convite ao ex-Velvet Underground para participar do mais recente disco da banda.

“Mas tomamos coragem e mandamos o convite. Na verdade nós havíamos encontrado com Lou Reed algumas vezes, uma delas foi num tributo ao Neil Young em Vancouver. Ele foi legal, disse que gostava das letras da Emily (Haines, vocalista do Metric)”, Shaw conta a este blog.

Reed topou o convite, e empresta sua voz grave a “The Wanderlust” – e sua participação é um gostoso contraponto ao clima celebratório-onírico imposto por Emily Haines.

“The Wanderlust” faz companhia a “Artificial Nocturne”, “Youth Without Youth” e “Breathing Underwater” em “Synthetica”, quinto disco do Metric, lançado há pouco no Brasil pelo selo LAB 344.

Muito do apelo do Metric se dá pela ótima combinação entre a voz polida de Haines e as melodias criadas por Shaw em guitarras e sintetizadores. Mas é uma combinação que resulta em um efeito curioso: faz do Matric uma banda muito pop para o indie rock, e muito indie para o pop.

“Isso acontece, mas é algo que Emily e eu sempre procuramos fazer. Um pop meio indie, música diferente do que existe por aí. Queríamos prencher esse buraco, não ser classificado, padronizado”, afirma Shaw.

Apesar de ser recheado de melodias para cima, em alguns momentos “Synthetica” soa melancólico, dark. “O disco faz alguns questionamentos a respeito da gente, do mundo. Talvez um certo sentimento de isolamento. Mas são questões que estão por aí, não é algo exclusivamente nosso.”

E o Metric volta ao Brasil (a banda se apresentou no extinto festival Motomix, no parque Ibirapuera, SP, em 2008)? “Provavelmente no começo do ano que vem.”

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quinta-feira, 20 de setembro de 2012 música | 11:23

The xx ganha companhia do Four Tet e de orquestra

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Com qual frequência nos encontramos com uma banda que soa única, que parece estar à parte de tudo o que se faz na música pop? Tive essa sensação quando ouvi o primeiro disco do xx, em 2009, e ela voltou com “Coexist”, o segundo álbum do trio britânico, que acaba de ser lançado (lá fora, não aqui).

É assustador como o xx consegue criar o máximo de emoções e climas (beleza, melancolia, tensão, serenidade, esperança, desesperança) com o mínimo de recursos (melodias e arranjos feitos com pouquíssima instrumentação).

Nesse sentido, dá para fazer uma conexão entre o xx e a música eletrônica, que foi tomada pelo minimalismo nos anos 00. Não à toa: Jamie Smith (também chamado de Jamie xx), um dos integrantes da banda, é remixador dos mais hábeis.

Não consigo lembrar de uma  música recente tão cortante como o primeiro single de “Coexist” (nome meio U2), “Chained” (“We used to be closer than this/ (…) Did I hold you too tight?/ Did I not let enough light in?”).

Bem, “Angels” , outra das faixas que fazem de “Coexist” um disco tão incontornável, ganhou elegante remix do produtor britânico Four Tet (que passou pelo Sónar paulistano neste ano). A versão foi tocada na Radio 1, da BBC, e pode ser ouvida abaixo.

Ainda na ótima BBC, o xx protagonizou uma performance com acompanhamento da BBC Philharmonic Orchestra, parte da série BBC Philharmonic Presents. Dá para ouvir aqui.

Abaixo, um trecho da apresentação.

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terça-feira, 18 de setembro de 2012 música | 15:56

Entrevista: Jason Pierce – Spiritualized

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“Já toquei na Argentina, mas no Brasil nunca deu certo. Toco em qualquer lugar, Islândia, Austrália, Londres, mas preciso que alguém nesses locais cuide bem de toda a estrutura para a viagem. Se você souber de alguém que possa fazer isso, ou se essa entrevista ajudar a nos levar para o Brasil, seria ótimo.”

Assim Jason Pierce, líder, vocalista e faz-tudo do Spiritualized começa a entrevista a este blog, motivada pelo lançamento no Brasil do sétimo disco da banda, “Sweet Heart Sweet Light”.

Se algum produtor de shows se entusiasmar em trazer o Spiritualized ao país, Pierce deseja que seja um show baseado tanto no disco mais recente como em todos os outros da carreira da banda. Ele não quer repetir aqui as (elogiadíssimas) apresentações (no Royal Albert Hall, na Inglaterra, e na Sydney Opera House, na Austrália, por exemplo) nas quais tocou, por inteiro, o clássico álbum “Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space”.

Virou moda no rock shows em que bandas se debruçam sobre um disco que fez sucesso em outras épocas, abrindo espaço para a nostalgia. Jason Pierce não gosta de revisitar o passado.

“Acho isso deprimente. Também tenho culpa, claro, porque fiz 4 ou 5 shows desse tipo. Foi incrível, mas uma voz na mina cabeça ficava martelando: ‘Não é a coisa certa a fazer’. Sei que muita gente quer aquilo, mas isso é a morte da arte, fornecer ao público algo que ele está acostumado. Não é saudável quando bandas se reúnem para tocar um disco, fazer alguns shows.”

E continua: “Claro, os Stooges fazem um dos melhores shows que já vi, o problema é toda a indústria girar em torno disso, todo o rock and roll girar em torno disso. É triste. A razão, para mim, é se adaptar e fazer algo novo, incrível”.

Então, pergunto, você não deve ter gostado, por exemplo, da reunião dos Stone Roses?

“Eu os vi no Japão e foi uma das piores coisas que já presenciei. Estava na cara que era apenas por dinheiro. E eles eram headliners do festival! Isso é algo que não entendo. Não consigo descrever o que senti quando vi John Squire no palco, sob os holofotes, tentando parecer Jimi Hendrix. Não consigo entender a motivação por trás disso.”

Jason Pierce está com 46 anos – ele encara a música pop hoje como encarava há 15, 20 anos?

“Gostaria de dizer ‘sim’, mas tenho que dizer ‘não’. Ainda quero saber do que sou capaz. Uma das piores coisas do rock é o envelhecimento. Não é que a música de quem é mais velho me deixe mal, mas sim pessoas da minha idade que tentam recapturar a juventude. Não quero nunca fazer isso.”

Jason Pierce criou o Spiritualized no início dos anos 1990, das cinzas de sua banda anterior, Spacemen 3. A música que sai da mente de Pierce desafia classificações: grandiosa, intimista, melancólica, enérgica, com toques gospel, com cores psicodélicas.

Em “Sweet Heart Sweet Light”, não há como ficar imune a “Hey Jane”, épico de quase 9 minutos que ganhou belo vídeo.

Sobre “Hey Jane”, Pierce diz que ela foi “um pouco” inspirada por “Sweet Jane”, do Velvet Underground. “É mais um reconhecimento do que uma influência direta. Acho que é assim que a música funciona: você usa referências para compor, não cria do nada”.

Pierce conta que boa parte do disco surgiu de ideias que apareceram quando ele andava de carro. “Queria que ele soasse como uma viagem, porque muito dele veio quando eu estava no carro. Queria que fizesse sentido quando ouvido no carro.”

O disco demorou quase três anos para ficar pronto. Nesse tempo, Pierce afirma que ouviu quase nada de música. “Não consigo ouvir outras bandas quando estou fazendo um disco.” Já quando está em turnês, diz, ouve country, blues, rock, soul “o tempo todo”.

Quando estava produzindo o álbum, Pierce foi diagnosticado com uma doença degenerativa no fígado. Passou por um tratamento que “era pior do que a própria doença”. Mas, hoje, está melhor.  “O tratamento era terrível, e passei por isso exatamente quando estava fazendo o disco, porque não conseguirira fazer em turnê. Mas são coisas que você não consegue controlar. Não sei nem como influenciou o disco, para falar a verdade.”

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domingo, 16 de setembro de 2012 Cultura pop | 14:56

Super-heróis também ficam tristes

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Super-Homem

Para alguns, a crise econômica (e cultural e social) exige que humanos se comportem como super-heróis. Para o fotógrafo argentino Nicolas Silberfaden, estamos em uma época em que até os super-heróis demonstram fraquezas.

Essa é a ideia por trás da série Impersonators. Nicolas fotografou gente que se fantasia de super-herói (Super-Homem, Batman, Supergirl, Aquaman) e celebridade (Marilyn Monroe, Elvis Presley) para animar eventos em Los Angeles.

Nicolas pediu a essas pessoas que posassem não como ícones fortes, indestrutíveis, mas como pessoas que demonstram tristeza, desespero. “Cria a ilusão que o Super-Homem existe – que ele também é falível e afetado pela crise norte-americana”, diz o fotógrafo.

Indiana Jones

Aquaman

Batgirl

Marilyn Monroe

Supergirl

Rambo

Elvis Presley

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