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quinta-feira, 11 de outubro de 2012 música | 18:06

DJ Shadow: "Um bom DJ set é um manifesto artístico"

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DJ Shadow no Coachella, em abril de 2012 - Getty Images

“Eu dou muito valor à privacidade. Não gosto muito de redes sociais, por exemplo. Muita gente hypada na internet não tem nada a dizer. Se tivese que começar de novo, talvez escolhesse não fazer entrevistas ou tirar fotos. Deixaria com a imaginação das pessoas. Não estou preocupado com o meu perfil público ou como estou rankeado como DJ ou como é a minha posição em relação a outros. Continuo fazendo o que sempre fiz, desde que estava no colegial, que é criar beats.”

Este é Josh Davis, mais conhecido como DJ Shadow, autor de “Endtroducing…” (1996), o primeiro disco feito inteiramente por samples e que foi classificado pela extinta revista “Muzik” como o “mais importante disco de dance music da história” – e isso porque “Endtroducing…” está até mais para hip hop e música experimental do que para “dance music”.

Bem, a conversa com DJ Shadow aconteceu porque esse norte-americano de 40 anos voltará ao Brasil (a primeira vez foi em 2006, num Tim Festival) para apresentação no Cine Joia, em São Paulo, em 19 de outubro.

Além de “Endtroducing…”, Shadow já soltou outros três discos de estúdio (o mais recente, “The Less You Know, The Better”, em 2011) e faixas de todos eles devem entrar no DJ set que virá em SP.

Mas o que esperar de All Basses Covered, a turnê que Shadow traz à capital paulista e que depois vai ao Chile, Argentina, Europa e EUA?

“É (um set) bem contemporâneo. Não tenho a chance de me apresentar dessa forma desde os anos 1990. Toco coisas da Mo’ Wax (gravadora de James Lavelle, parceiro de Shadow), hip hop clássico, hip hop novo, um pouco de drum’n’bass, r&b, um pouco disso , um pouco daquilo. Quero incentivar a nova música, esse é o objetivo. Um bom DJ set é um manifesto artístico.”

Shadow é famoso por ser colecionador compulsivo de discos. A internet está matando muitas lojas onde se costuma garimpar vinis, mas o DJ não enxerga a questão apenas com olhos nostálgicos: “Ao procurar discos, você vai a uma loja, um lugar novo, respira esse ambiente, encontra pessoas, tudo isso é parte do processo. Não procuro por discos antigos na internet. Uso a rede para achar música nova, porque música nova não se encontra em CD ou vinil”.

E ainda passa muito tempo em lojas de discos? “Vou algumas vezes. Costumava ir direto, mas fui ficando velho e… A possibilidade de encontrar algo incrivelmente raro ou valioso diminuiu, muita gente coleciona discos, descobre raridades, seja em Minneapolis, Chicago ou São Paulo.”

Se DJ Shadow criou raízes no hip hop, hoje ele desafia classificações. Seus últimos discos trazem músicas que se aproximam do folk, do rock, da eletrônica. O mais recente álbum tem, por exemplo, participações da banda Little Dragon e do indie Tom Vek. Uma liberdade estilística que gerou críticas.

“Muita gente não gosta porque eu não sou influenciado pelo que está na moda, esse é o ponto. Não quero ficar preso a uma época, quero fazer algo que exista além.”

Talvez essa abrangência sonora de Shadow tenha a ver com uma crítica que ele faz a alguns setores do rap, que não estariam evoluindo o suficiente: “O rap está por aí há muito tempo. É normal ter altos e baixos, épocas mais relevantes do que outras. Hoje os beats, os produtores estão fortes, e os MCs nem tanto. Há alguns anos era o contrário. Mas há muita coisa boa sendo feita”.

Há algum tempo, Shadow chegou a criticar os downloads ilegais, dizendo que a música deveria ser paga. Hoje sua opinião não é tão definida: “O músico que quer ser pago deveria ser pago, aquele que quer dar de graça, que dê. Vamos deixar cada um decidir”, afirma. “Com ferramentas como o Soundcloud, alguém pode fazer um mix e mostrar ao mundo um novo produtor. Quem sabe esse cara depois não estará fazendo beats para Kanye?”.

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