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Arquivo de abril, 2013

sexta-feira, 5 de abril de 2013 música | 14:21

À procura de um mito

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Stephen "Sugar" Segerman, dono da loja de discos e sebo Mabu Vinyl

“Minha vida virou uma loucura. Uma porção de turistas vêm à loja todos os dias, dou entrevistas para jornalistas do mundo inteiro. E daqui a alguns dias vou a Nova York, me convidaram apenas para falar por uns 15 minutos.” Este é Stephen “Sugar” Segerman, dono da loja de discos e sebo Mabu Vinyl e um dos responsáveis pelo sucesso de “Searching for Sugar Man”, documentário que ganhou o Oscar da categoria neste ano.

Se você não conhece o filme, segue um resumo (o longa ainda não tem data de estreia no Brasil, mas corra atrás – mais do que um filme para quem gosta de histórias da música pop, é um filme para quem gosta de histórias humanas).

Dirigido pelo sueco Malik Bendjelloul, “Searching for Sugar Man” mostra o esforço obstinado de dois sul-africanos (Sugar, como ele prefere ser chamado, e o jornalista Craig Bartholomew Strydom) para tentar encontrar Rodriguez, misterioso compositor e cantor norte-americano que lançou apenas dois discos (“Cold Fact”, 1970; “Coming from Reality”, 1971).

Com a mira apontada para temas como injustiças sociais e relacionamentos problemáticos, as letras de Rodriguez têm um tom às vezes seco, às vezes hippie e mostram um compositor complexo e (bem) acima da media (não à toa pipocam comparações com Bob Dylan).

Mas nos EUA do início dos anos 1970 não havia mercado para um Bob Dylan latino, e os álbuns passaram em branco. Desmotivado, sem grana e com contrato encerrado com a gravadora, Rodriguez decidiu trabalhar como mestre de obras. E ficou anônimo para praticamente todo o mundo.

Mabu Vinyl fica numa casa estreita em um agitado bairro da Cidade do Cabo

Mas havia a África do Sul. Num país estrangulado pelo apartheid, as músicas de Rodriguez tornaram-sem a trilha perfeita para uma juventude que lutava para acabar com a opressão. E Rodriguez virou, naquele país, um “novo Elvis”.

O problema era que ninguém sabia nada sobre Rodriguez – se continuava gravando, se ainda estava vivo. Strydom e Sugar passaram a buscar pistas de Rodriguez e, em 1998, criaram um site sobre o cantor. Uma das filhas de Rodriguez viu a página e entrou em contato com os dois sul-africanos. Rodriguez, então, finalmente descobriria que havia um país inteiro que o considerava um herói, e sua vida nunca mais seria a mesma.

Com o lançamento de “Searching for Sugar Man”, Rodriguez passou a percorrer EUA e Europa em shows e virou nome disputado por festivais – estará nos enormes Coachella (EUA) e Glastonbury (Inglaterra).

“Ele merece. É o cara mais legal que eu conheço. Humilde, fica horas dando autógrafos para os fãs, é dedicado”, conta Sugar a este blog. Em poucos dias, ele viajará a Nova York, para participar com uma conversa com Rodriguez antes de um show apenas para convidados.

Sugar diz que todos os dias a Mabu Vinyl recebe turistas atrás de discos de Rodriguez. Os dois álbuns foram relançados pelo selo Light in the Attic – as versões originais hoje chegam a custar mais de US$ 300 cada cópia. “Esses discos entravam bastante na loja até ele ser redescoberto. Não valiam muita coisa. Se as pessoas soubessem que virariam raridade…”, diz.

A Mabu Vinyl fica numa casa estreita em um agitado bairro da Cidade do Cabo. Como quase toda loja de discos e sebos, é apertada, com discos amontoados também pelo chão. Há muitos vinis usados, inclusive disquinhos de 7 polegadas. Ha de soul a disco, de eletrônica a LPs de comediantes, de jazz e trilhas sonoras, mas o forte são rock e pop.

“Tenho a loja há 11 anos. E o vinil voltou à moda. Não posso reclamar, despede-se Sugar.

*Este blog viaja a convite da South African Tourism

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