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Arquivo de outubro, 2013

quinta-feira, 17 de outubro de 2013 cultura | 07:20

Glenn Greenwald e um novo jeito de fazer jornalismo

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Não sei se vai dar certo, se é o futuro, mas é uma movimentação que não dá para ignorar. Um dos responsáveis pela publicação dos documentos que revelaram as ações de espionagem da agência norte-americana NSA, Glenn Greenwald deixou de colaborar com o jornal britânico The Guardian para embarcar em uma nova iniciativa.

Ao lado de Laura Poitras (jornalista e documentarista que também ajudou a noticiar os documentos vazados por Edward Snowden) e de Jeremy Scahill (jornalista da Nation e autor de livros como “Blackwater- A ascensão do exército mercenário mais poderoso do mundo”), Greenwald fará parte de uma organização jornalística que está sendo bancada por Pierre Omidyar (dono do eBay, que já havia investido em jornalismo, com o Honolulu Civil Beat).

Ainda não sabemos muito sobre a empreitada (nem o nome foi divulgado), mas já vazaram alguns detalhes, principalmente por meio do Jay Rosen, que entrevistou Omidyar, e do Huffington Post:

– será totalmente digital;

– Omidyar decidiu chamar Greenwald para criar o novo portal depois que foi procurado pelo Washington Post para comprar o tradicional jornal norte-americano (o WP ficou com Jeff Bezos);

– cobrirá de política a esportes, de entretenimento a economia;

– será formado por jornalistas-âncoras: gente que tem seguidores fieis e que repercute em redes sociais; independentes, opinativos, com um jeito de trabalhar próprio;

– terá uma estrutura que se assemelhe mais com as empresas de tecnologia do Vale do Silício do que com empresas de mídias que conhecemos hoje.

Greenwald continuará morando no Rio de Janeiro. Ele e a equipe terão muito oxigênio para banca o tipo de jornalismo investigativo que sonham em realizar: Omidyar é um bilionário dono de uma fortuna de mais de US$ 8 bilhões, está empolgado e já disse que pretende reinvestir na nova organização toda a receita gerada. A Jay Rosen, o empresário afirmou: “Sempre tive a opinião de que o tipo certo de jornalismo é uma parte crítica de nossa democracia.”

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segunda-feira, 14 de outubro de 2013 música | 13:11

Cut Copy e Spiritualized: psicodelia torta

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comentei aqui (e até fiz uma mixtape pro Deep Beep) sobre a “nova psicodelia” que nos proporciona muitos dos bons momentos da música pop neste ano (na verdade desde que o Tame Impala apareceu). Um dos nomes que está nessa é o australiano Cut Copy, não apenas com “Let Me Show You” (bem “Primal Scream on acid”) mas com outra faixa do disco novo (sai no começo de novembro), “Free Your Mind”.

A original “Free Your Mind” é bem eletrônica; já a versão feita pelo Jason Pierce, do Spiritualized, embarca numa psicodelia meio torta: noise, hipnótica. Não é um remix puro: é como um cover, com Pierce cantando apenas “You’ve got to reach for the sky/ If you want your life to shine”. Lindo, lindo.

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quinta-feira, 10 de outubro de 2013 Sem categoria | 12:11

David Bowie e James Murphy: um encontro espetacular

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Teria como dar errado o encontro entre David Bowie e James Murphy? Um dos artistas mais inquietos e surpreendentes dos anos 1970 se aproxima de um dos artistas mais inquietos e surpreendentes dos anos 2000.

A união está em “Love is Lost (Hello Steve Reich Mix)”, remix de música que está no mais recente disco de Bowie, “The Next Day”. Essa versão é um dos destaques do relançamento de “The Next Day”: uma caixa com o álbum em si, mais um disco com dez faixas, entre elas cinco inéditas e dois remixes, além de um DVD com quatro vídeos. Sai no começo de novembro.

O remix é um espetáculo de dez minutos de duração e não à toa tem uma homenagem a Steve Reich, o mestre minimalista, no título (principalmente pelo início com as repetitivas batidas de palmas).

Esse encontro entre James Murphy e David Bowie deu mais certo do que “Reflektor”, faixa do Arcade Fire produzida por Murphy. Ali o Arcade Fire parece desfigurado no mundo disco-punk de Murphy.

O remix de “Love is Lost” trata Bowie com a reverência que ele merece (há até uma citação de “Ashes to Ashes”); o retro-futurismo de James Murphy encaixou com a personalidade classuda de Bowie.

Abaixo, a lista das músicas que estarão no disco extra; o remix pode ser ouvido em seguida.

‘Atomica’
‘Love is Lost’ (Hello Steve Reich Mix)
‘Plan’
‘The Informer’
‘Like A Rocket Man’
‘Born In A UFO’
‘I’d Rather Be High’ (Venetian Mix)
‘I’ll Take You There’
‘God Bless The Girl’
‘So She’

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013 música | 11:00

Audac e Au Revoir Simone: o (bom) pop enquanto sonho

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“Uh, you girls you drive me crazy/ Uh, you girls you drive me crazy”. É o melhor refrão do ano (pelo menos para mim) este de “Crazy”, do trio de meninas Au Revoir Simone.

“Crazy” está no ótimo “Move In Spectrums”, o terceiro disco da banda nova-iorquina, que acaba de sair. E “Move In Spectrums” pode ser dividido em duas partes, tipo lado A e lado B.

Dá pra dizer que seis das primeiras sete músicas formam o “lado A” de “Move in Spectrums”. São as faixas mais festeiras, “pra cima”, nas quais a bateria eletrônica se impõe sobre os teclados. São os casos de “More Than”, que lembra New Order, da irresistível “Crazy” e da enérgica (e quase pós-uink) “Just Like a Tree”.

O dream pop característico do ARS (vocal quase falado, melodias que parecem flutuar sobre as nuvens) está presente no disco todo , mas no “lado B” ganha um tom mais melancólico. São as quatro últimas faixas do disco (além de “We Both Know”, meio perdida no início do álbum). O romântico e a dor movem com classe “Love You Don’t Know Me” e “Hand Over Hand”. E “Let the Night In” encerra como uma pintura de sintetizadores psicodélicos.

*****

Gostei do disco de estreia da banda curitibana Audac logo de cara porque tem apenas oito músicas (e como a primeira é apenas uma intro de poucos segundos, temos apenas sete músicas cheias). Banda nova, ainda sem história e experiência, tem de lançar disco e fazer shows curtos, ir direto ao ponto, deixar o público querendo mais.

Um ponto que chama a atenção é o fato de o disco ter sido produzido por Gordon Raphael, o cara responsável pelos dois primeiros álbuns dos Strokes. O Audac não tem nada a ver com as guitarras retrô da banda norte-americana, mas dá para perceber uma crueza e certa urgência que Gordon Raphael trouxe para o grupo curitibano.

O dream pop do Audac é construído em cima de teclados, efeitos de guitarra e um vocal feminino doce. O disco surpreende porque muda bastante entre uma faixa e outra. Comeca com a lenta e hipnótica”Distress”, passa pela melódica “Dark Side”, diverte em “Brian May’s Coin”, vira meio Joy Division em “Real Painkiller”. E ‘Back to the Future”, cheia de climas, é música de gente grande.

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