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terça-feira, 12 de novembro de 2013 música | 13:52

Terruá Pará 2013: da tradição à Gang do Eletro, da eletrônica ao rock

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Difícil encontrar banda nacional mais festeira que a Gang do Eletro. E a “Guere Guere” da banda ARK? “A guere guere é a minha gatinha/ A guere guere gosta é mesmo zoar/ A guere guere quando toma uma latinha/ Fica toda assanhadinha e começa a requebrar”. A “Tarja Preta”, do Felipe Cordeiro, grudou na cabeça até do Arnaldo Antunes, que já fez uma versão da música. E “Aparelhagem de Apartamento” é um exemplo de como o rock pode unir temas regionais sem soar caricato.

A Gang do Eletro no Terruá Pará - foto Camila Lima

A Gang do Eletro no Terruá Pará – foto Camila Lima

Gang do Eletro, ARK, Felipe Cordeiro e Molho Negro (a banda que criou “Aparelhagem de Apartamento”) são responsáveis pelos momentos pop/rock/eletrônico do Terruá Pará, projeto nascido em 2006 com a missão de apresentar ao Brasil a “cena” musical do Pará.

Entre aspas porque não sei se dá para chamar de cena. São nomes muito diferentes entre si tanto esteticamente como demograficamente. Mas o fato é que impressiona a quantidade e a variedade de músicos que saem do Pará.

Projetos culturais como o Terruá Pará não são coisa pequena. A primeira edição, a de 2006, apresentou ao Brasil nomes que eram praticamente ignorados fora do Norte do país, como Gaby Amarantos, Dona Onete, Luiz Pardal e gêneros como guitarrada, brega, melody, carimbó.

Felipe e Manoel Cordeiro - foto Camila Lima

Felipe e Manoel Cordeiro – foto Camila Lima

Acompanhei o show desta terceira edição no Portal da Amazônia, área em Belém à beira do rio Guamá, no dia 1º de novembro, a convite dos organizadores. O Terruá Pará e seus mais de 50 artistas desembarcam em São Paulo nesta semana, para shows no teatro do shopping Eldorado, na quarta e na quinta (dias 13 e 14). Mais infos aqui.

O Terruá Pará 2013 tem mais ou menos duas horas de duração. Cada artista canta uma ou duas músicas, acompanhado por um ou mais artistas do projeto. Cantam músicas próprias ou de outros compositores, como Waldemar Henrique da Costa Pereira, homenageado deste ano.

“Se você não gostar de um cara, não esquenta: daqui a pouco ele sai e entra outro, vai mudando”, disse Carlos Eduardo Miranda, o popular Miranda, diretor geral do evento. E é bem isso mesmo.

Molho Negro e Sammliz - foto Camila Lima

Molho Negro e Sammliz – foto Camila Lima

O começo do show é mais introspectivo, com a cantora Nazaré Pereira e o trio percussivo Manari. Pouco depois, sobem ao palco o instrumentista Adelbert Carneiro e o produtor de eletrônica Jaloo. O experimentalismo toma conta. Em seguida, os dois são acompanhados por Sammliz (a vocalista da banda Madame Saatan) e pelo Strobo (banda de rock instrumental).

O show segue então para uma parte mais tradicionalista, mais raiz, na qual entram Luê, Marco André e Arraial do Pavulagem. E aí aparece um samba (!), com o novo Arthur Espíndola e o veterano Toninho Nascimento (este nasceu no Pará, mas ficou conhecido no Rio de Janeiro).

O terceiro terço do show é o meu preferido. Começa com Felipe Cordeiro e a “Tarja Preta”, depois Felipe recebe o pai, o guitarrista Manoel Cordeiro, depois entra a Gang do Eletro e a casa cai, depois Waldo Squash (Gang do Eletro) solta as bases para Renan Sanches e Andinho Farias despejarem “Guere Guere”, depois a banda Molho Negro + a Sammliz injetam rock na noite com “Aparelhagem de Apartamento”, depois a Gang do Eletro volta para “Piripaque” e fazer o chão tremer e depois rola a despedida, com todo mundo no palco, estilo We Are the World”. E acabou.

Abaixo, um vídeo com trechos de alguns dos bons shows deste Terruá Pará.

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