Publicidade

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014 música | 15:22

Para o Sun Kill Moon, músicas são como diário

Compartilhe: Twitter

kozelek2

O norte-americano Mark Kozelek, dono do belíssimo projeto Sun Kill Moon, não é um músico comum. Um exemplo é a recente entrevista que ele deu para a Self-Titled, em que ele comenta cinco influências não musicais.

Não é qualquer cantor que cita como influência o pai. “Meu pai me ensinou a importância de ser humilde. (…) Meu pai vai aos meus shows e pergunta por que os lugares ficam em vizinhanças tão ruins e por que não há tanta gente. Ele me mantém humilde. Eu o amo.”

E também não é nada usual encontrar um roqueiro que aponta a mãe como a melhor amiga. “Nós temos diferenças e há tensão algumas vezes, mas nós nos visitamos muito e é ótimo. Minha mãe tem uma certa estabilidade – uma calma, um jeito gracioso. E ela arrebenta qualquer um nas palavras cruzadas.”

Ainda na entrevista, Kozelek cita uma ex-namorada, Katy, que morreu vítima de câncer em 2003 e inspirou boa parte das músicas do disco “April”, lançado pelo Sun Kill Moon em 2008. “Ela tinha apenas 34 anos. Lutou pela vida como eu nunca havia visto.”

Kozelek é um cantor prolífico – já lançu discos com o próprio nome, com a banda Red House Painters e, ultimamente, como Sun Kill Moon. Sua voz grave, como a de um barítono, fornece uma carga solene a letras que não raro tratam de morte, perda e desesperança – e também de fatos cotidianos que parecem banais.

Recentemente o Sun Kill Moon lançou o sexto disco, “Benji”. São 11 faixas em que aparentemente há apenas um cantor sob um acompanhamento folk, mas há muitas sutilezas escondidas ali. Entra um sopro, depois vêm vozes de apoio, a bateria vai aumentando o ritmo devagar. E as letras são um caso à parte.

Logo pelo título de várias das faixas, percebemos que o clima é o de um diário. “I Can’t Live Without My Mother’s Love”, “I Watched the Film the Song Remains the Same”, “I Love My Dad”, “Ben’s My Friend” e “Richard Ramirez Died Today of Natural Causes” são nomes de algumas das músicas.

Em “Dogs”, que faz referência ao épico de mesmo nome que o Pink Floyd colocou no disco “Animals”, ele canta: “I met a girl named Debra/ she lived on the canal/ She made me eggs in the morning/ she was such a sweet gal”. Em “Micheline”, Kozelek lembra não apenas uma, mas duas mortes: a de um amigo, Brett, morto devido a um aneurisma, e a da avó. “Minha avó/ Ouvi que ela teve uma vida bem dura/ Mas depois que o primeiro marido morreu/ Ela conheceu um cara da Califórnia/ E ele a tratava muito bem.”

Não há muitos discos como “Benji” por aí.

Autor: Tags: ,

Nenhum comentário, seja o primeiro.

Os comentários do texto estão encerrados.