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Arquivo de outubro, 2014

sexta-feira, 31 de outubro de 2014 música | 15:10

Arca – “Now You Know”

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O venezuelano Arca solta o ótimo disco “Xen” no começo de novembro. Esse produtor de 24 anos que está produzindo o próximo disco da Bjork já foi comentado aqui, com o vídeo de “Thievery”. E, também com direção do designer Jesse Kanda, chega agora o clipe para “Now You Know”, faixa que abre o álbum.

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música | 13:39

Para ouvir agora: Gengahr

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gengahr

É sempre um bom sinal quando uma banda nova é comparada a nomes bem diferentes entre si. É o caso do Gengahr, quarteto londrino que acaba de lançar o primeiro single, “Powder”, pelo selo Transgressive – o disco sai no primeiro semestre de 2015.

Nos textos que estão começando a pipocar sobre o Gengahr, aparecem referências a Alt J, MGMT, The Cure, The Smiths, Unknown Mortal Orchestra e o guitarrista John Victor foi comparado a Johnny Greenwood (Radiohead). As melodias suaves temperadas com uns toques psicodélicos deixam faixas como “Powder”, “Bathed In Light”, “She’s a Witch” e “Fill My Gums with Blood” perfeitas para serem ouvidas numa manhã sossegada.

Fora shows solo, a banda vai abrir uma noite do Maccabees em Liverpool. Já tocaram no Glastonbury em 2014 e, em 2015, coisas grandes devem acontecer.

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quarta-feira, 29 de outubro de 2014 música | 17:25

Aos 19 anos, Shamir Bailey faz pop esquisito e delicioso

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Fã de Nina Simone, Shamir cresceu dentro de uma família adepta da Nação do Islã. Há alguns anos, começou cantando country e tocando violão. Não gostava de como soava (“Nunca conseguiria cantar como Taylor Swyft”, disse em uma entrevista) e recomeçou do zero. O poto de partida juntava funk, soul, disco, pop eletrônico e rap.

O resultado é algo que parece uma mistura de Pharrell Williams, DFA, Prince e Missy Elliott e está em “Northtown”, EP que Shamir lançou neste ano por um pequeno selo. A produção do disco foi bem básica: ele canta sobre bases feitas por Nick Sylvester, que era roteirista do programa “The Colbert Report”.

A pequena-grande XL Recordings gostou e acaba de assinar com Shamir. Da parceria nasceu “On the Regular”, faixa novíssima que já sai com um vídeo. Shamir é um nome do qual ainda ouviremos MUITO.

Abaixo, “On the Regular”. Em seguida, o EP “Northtown”.

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música | 15:30

O Boiler Room de Matias Aguayo

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DJ e produtor chileno radicado na Alemanha, Matias Aguayo fechou a recente edição que o Boiler Room fez com o selo Cómeme.

O set rolou em um local pequeno, fechado, apinhado de gente, mas poderia ter sido em uma praia, num final de tarde ensolarado. As intervenções vocais e os toques percussivos fazem os quase 60 minutos do set passarem bem rápido. E o começo é espetacular.

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sexta-feira, 24 de outubro de 2014 música | 12:28

Noel Gallagher participa de show de Johnny Marr e toca Iggy Pop e Smiths

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Johnny Marr e Noel Gallagher. O guitarrista dos Smiths e co-autor de clássicos como “There Is a Light That Never Goes Out” e “Girlfriend in a Coma” ao lado do responsável por músicas como “Rock and Roll Star” e “Roll with It”.

A reunião rolou na Brixton Academy, em Londres, nesta quinta. No bis, Marr chamou Noel ao palco e os dois tocaram “Lust for Life”, faixa do Iggy Pop, e a sempre linda “How Soon Is Now?”, dos Smiths. “Gostaria de chamar um cara que é um amigo por 20 anos. Um dos grandes compositores deste país. Acho que ele tem um grande futuro pela frente. Mr. Noel Gallagher”, apresentou Marr.

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quinta-feira, 23 de outubro de 2014 música | 17:13

Panda Bear e a primeira grande música de 2015

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pandabear

Um dos cérebros do Animal Collective, o norte-americano Panda Bear (nome de Noah Lennox) vai lançar em janeiro de 2015 “Panda Bear Meets The Grim Reaper”, o quinto disco solo.

O primeiro single do álbum é a excelemnte “Mr. Noah”, que acaba de sair e ganhou um vídeo ótimo. (E “Mr. Noah” foi lançado também em formato EP, com as faixas “Faces in the Crowd”, “Untying the Knot” e “This Side of Paradise”, que não estarão no disco.)

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música | 16:18

Toro y Moi volta com outro nome e músicas deliciosas

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“Michael” é o nome do disco que sai em 4 de novembro, o primeiro do Les Sins, alter-ego de Chaz Bundick, mais conhecido como Toro y Moi.

No Les Sins, Bundick deixa fluir seu lado mais dance, mas nem por isso sem a elegância que caracteriza o Toro Y Moi.

Ele acaba de soltar “Talk About”. Antes, saíram “Bother” e “Why”. Todas estão abaixo.

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terça-feira, 21 de outubro de 2014 música | 18:16

Karen O: solo e ao vivo

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Não dei muita bola para “Crush Songs”, o disco solo que a Karen O lançou há pouco com faixas que ela havia composto quando tinha 20 e poucos anos (hoje ela tem 35). São músicas romanticamente melancólicas, e gravadas em esquema lo-fi, sem adereços.

Mas ao vivo essas músicas ficam incrivelmente arrebatadoras, como nesta sessão de meia hora para o programa Morning Becomes Ecletic, da rádio norte-americana KCRW. A vocalista do Yeah Yeah Yeahs está acompanhada do ótimo Moses Sumney  e de Holly Miranda.

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quinta-feira, 16 de outubro de 2014 música | 18:31

Foo Fighters faz David Letterman chorar e mostra a nova “Something from Nothing”

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E o que mais me marcou em “Something from Nothing”, música nova do Foo Fighters tocada no programa do Zane Lowe (da sempre ótima Radio 1) e que estará no disco “Sonic Highways” (sai em 10 de novembro), foi o… baixo. Sim o baixo.

Produzida pelo Steve Albini, a faixa é bem pop (pros padrões Albini de produção), com uma bateria forte e os tradicionais gritos de Dave Grohl. Mas tem uma levada meio funk no baixo que a deixa bem diferente de outras coisas lançadas pela banda.

E tem o choro do David Letterman. O Foo Fighters está fazendo uma residência no programa do David Letterman nesta semana (vai até esta sexta). Na quarta, a banda tocou “Miracle”, a pedido de Letterman, que foi exibida apenas pela internet.

O apresentador disse que pediu a música porque ela é a trilha de um vídeo com o filho de Letterman esquiando. Caíram algumas lágrimas de David Letterman. Segue abaixo.

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quarta-feira, 15 de outubro de 2014 música | 13:56

Uma leitura obrigatória: “Pavões Misteriosos”

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pavoesOs anos 1960 geraram a Jovem Guarda e o tropicalismo. Os anos 1980 viram a explosão do pop-rock brasileiro. E os anos 1970? Naquela década não foi produzido nenhum movimento histórico dentro da música brasileira, mas surgiram ali muitos dos mais relevantes discos da produção nacional. O período entre 1974 e 1983 é o foco do livro “Pavões Misteriosos”, lançado pelo jornalista André Barcinski.

É uma época em que, como escreve Barcinski na abertura do livro, “a música brasileira ficou mais jovem e mais popular. A venda de discos se multiplicou depois do chamado milagre econômico. O advento das rádios FM e a popularização da TV e dos LPs com trilhas de novelas ajudaram a fortalecer o mercado do disco no país. Pela primeira vez, o Brasil teve uma indústria musical competitiva”.

O livro traz histórias excelentes, saborosas. Revela, por exemplo, que não apenas a qualidade musical mas também a sorte ajudou a popularizar lançamentos como o disco de estreia dos Secos & Molhados – o álbum saiu na mesma semana em que estreava o “Fantástico”, em agosto de 1973, e imagens do grupo foram escolhidas para entrar na abertura do programa. O álbum, então, estourou.

Barcinski usa o lançamento de um disco como ponto de partida para desenhar um retrato mais amplo de seu autor. É emocionante o capítulo que reconta a trajetória de Raul Seixas, de cantor certinho que vestia ternos à crise existencial dos anos 1980, passando pela parceria com Paulo Coelho e a incursão ao ocultismo.

Guilherme Arantes é outro que recebe a devida atenção. Era tido como cantor de música “brega”, mas tinha um apuro pop inigualável e, por isso, era requisitado para compor para medalhões como Elis Regina, desesperados por canções que cativassem o povo.

Com um mercado ainda amador, o início dos anos 1970 permitia que produtores “fabricassem” astros como Sidney Magal e Gretchen, ou que criassem o fenômeno dos falsos gringos (como Fábio Jr., que chegou a cantar como Mark Davis). Ao mesmo tempo, a discoteca e o sucesso das trilhas das novelas de TV aproximaram artistas como Gilberto Gil e até Gal Costa da massa popular.

De acordo com o livro, um dos motivos que fizeram dos anos 1970 um período tão frutífero para a música brasileira foi a autonomia que os artistas tinham para criar os discos: liberdade para compor o que queriam e para contratar o produtor que desejassem. A partir do final dos anos 1970, o mercado se profissionalizou: as gravadoras passaram a investir menos em artistas novos e mais naqueles que já eram consagrados e, ainda, a controlar todo o disco, desde a concepção até a comercialização.

“Pavões Misteriosos” não tenta catequizar o leitor e não faz juízo de valor, mas analisa e contextualiza alguns dos principais discos lançados naquele período. E preenche um vazio da bibliografia da música brasileira.

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