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Arquivo de dezembro, 2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014 música | 17:29

TV On The Radio, Taylor Swift e o melhor de 2014

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Tunde Adebimpe em show do TV On The Radio - Ethan Miller/Getty Images

Tunde Adebimpe em show do TV On The Radio – Ethan Miller/Getty Images

O TV On the Radio criou (quase) uma obra-prima com “Seeds”. Um disco recheado de músicas tão diferentes entre si mas que fazem todo o sentido ao serem compiladas. Uma banda que nunca se prendeu a estilos constrói aqui um quebra-cabeça formado por peças de rock, funk, punk, noise, disco, pop e soul. E tudo se encaixa. Faixas como “Winter” e “Lazerray” são joias feitas à base de barulho e distorção. “Right Now” é uma das mais festivas músicas do ano. “Careful You” e “Trouble” emocionam, “Could You” é tensa na medida exata e “Ride” é uma mini-ópera-pós-punk. Mesmo que a primeira e a última faixa não correspondam, “Seeds” se sustenta como um disco único neste 2014.

Taylor Swift em show em Los Angeles - Jason Merritt/Getty Images

Taylor Swift em show em Los Angeles – Jason Merritt/Getty Images

E “1989” faz de Taylor Swift o principal nome novo do pop. O disco é também quase perfeito. Nenhuma cantora pop jovem consegue fazer letras tão espertas quanto irônicas como “Blank Space”, “Style” e “Shake It Off”. Os produtores Max martin e Shellback já trabalharam com zilhões de outros cantores, mas é aqui que a dupla consegue finalmente acertar a mão, sem exagerar no processamento da voz e nos beats. “1989” fica lado a lado com outros grandes discos do pop, como “FutureSex/LoveSounds” (Justin Timberlake) e “Like a Virgin” (Madonna).

Esses dois discos lideram minha lista de melhores de 2014, mas ficaram fora da lista das músicas, já que cada um deles teria que entrar com pelo menos três faixas.

Discos
TV On The Radio – “Seeds”
Taylor Swift – “1989”
Young Fathers – “Dead”
Arca – “Xen”
Ty Segall – “Manipulator”
FKA Twigs – “LP1”
Run the Jewels – “Run the Jewels 2”
Woods – “With Light and With Love”
Caribou – “Our Love”
Metronomy – “Love Letters”

Discos nacionais
Racionais – “Cores e Valores”
Tiê – “Esmeraldas”
Gui Boratto – “Abaporu”
Criolo – “Convoque Seu Buda”
Charme Chulo – “Crucificados pelo Sistema Bruto”
Far From Alaska – “modeHuman”
Ruído mm – “Rasura”
SeixlacK – “Seu Lugar É o Cemitério” (EP)
Soul One – “Pulso”
Holger – “Holger”

Músicas
Sharon Van Etten – “Your Love Is Killing Me”
Young Thug – “Danny Glover”
Sisyphus – “Lion’s Share”
Jimmy Edgar – “Burn”
Interpol – “My Desire”
Spoon – “Inside Out”
FKA Twigs – “Two Weeks”
Mac DeMarco – “Passing Out Pieces”
ILoveMakkonnen – “Tuesday”
Beyoncé – “Flawless (Remix)”

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cultura | 13:34

Documentário “O Que É Nosso” faz mais pela cultura de São Paulo do que qualquer iniciativa do poder público

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Saiu há pouco o documentário “O Que É Nosso – Reclaiming the Jungle”, dirigido por Jerry Clode, Murilo Yamanaka and Allyson Alapont. Em pouco mais de 60 minutos, o filme registra como várias festas de rua gratuitas estão ajudando a mudar o cenário melancólico e monocromático da região central de São Paulo.

As festas de rua não são algo novo em São Paulo. Em bairros (principalmente) das zonas sul e leste há eventos abertos de rap, funk, eletrônica há anos. Mas dois fatores ajudam a entender por que essa movimentação de agora é algo relevante.

Primeiro porque fazem com que o centro da cidade ganhe vida noturna e nos finais de semana e sem qualquer tipo de segregação. Moradores de rua, integrantes de movimentos sociais, comerciantes, garçons, enfim, todo tipo de gente se mistura a jovens de classe média que querem se divertir ao ar livre, e não dentro de um clube.

E segundo porque é uma alternativa acessível à caríssima noite paulistana. Frequentar clubes em São Paulo tornou-se algo impossível para quem não pode/não quer gastar menos do que R$ 100 ou quantia parecida em uma noite. Daria para comparar as festas de rua com a comida de rua, mas nessa comparação as festas de rua saem ganhando bem, já que a comida de rua paulistana renasce com uma certa “gourmetização” que a deixa quase tão cara e inacessível como os cardápios dos restaurantes.

Sem restrições estéticas, políticas, econômicas ou sociais, festas como Voodoo Hop, Capslock, Metanol, Free Beats, Selvagem e outras fazem mais pela cultura de São Paulo do que qualquer iniciativa do poder público.

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014 música | 12:45

O retorno da Aldo the Band: mais profissa, mais dançante

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Das melhores surpresas da música pop esperta feita no Brasil recentemente, a dupla/banda Aldo está para lançar o segundo disco em fevereiro. Duas das faixas que estarão no álbum foram escolhidas para formar o EP “Sunday Dust”.

“Sunday Dust” mostra o Aldo ainda mais dançante do que aquele que está no primeiro disco, “Is Love”, que saiu em 2013. E em um esquema mais profissional – a banda está no selo Ganzã, comandado pelo produtor Dudu Marote e que faz parte da plataforma Skol Music.

“Gravamos o primeiro disco em casa, no quarto da minha mãe. Fizemos as vozes no armário”, conta Murilo Faria, uma das metadas do Aldo (a outra é o irmão André). “Agora tivemos um cuidado maior em vários aspectos, para que cada vez que você ouça, perceba um elemento novo. Deu trabalho, foi difícil, mas é recompensador.”

Murilo e André compõem letras e beats das músicas, mas recebem a ajuda, nas gravações, do baixista Isidoro Snake Cobra e do baterista Érico Theobaldo. E Dudu Marote ajuda a dar foco na empreitada.

“O Dudu não entra como um produtor, é mais um diretor artístico. Ele nos mostrou que o desafio é transformar esse segundo disco maior do que o show. Porque os nossos shows eram bem maiores do que o primeiro disco”, diz Murilo. “E não tem como. A gente pegou um baixista ótimo, o Isidoro, não tem pra ninguém. E o Érico é um excelente baterista, que trouxe muita coisa de eletrônica, nos ajuda a achar timbres. A banda cresce bastante com eles.”

Segundo Murilo, o segundo disco está praticamente pronto. Eles vão tocar no encerramento da semana SIM São Paulo, neste domingo (7), no Cine Joia (mais infos aqui). Em janeiro, pretendem “dormir uns 10 dias seguidos” para depois, em fevereiro, soltar o álbum e sair para shows. Em janeiro ainda deve ser lançado um remix do Database para “Sunday Dust”.

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014 música | 13:44

A hipocrisia machista de Anitta

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“Vou rebolar só porque você não gosta
Se não quiser me olhar, vira de costas
Você vai ter que aturar
Porque eu vim pra te provocar
E para de falar, blá blá blá”.

Os versos acima são de “Blá, Blá, Blá”, faixa que está em “Ritmo Perfeito”, o mais recente disco de Anitta.

Anitta durante gravação do "Altas Horas" - Crédito: Instagram da cantora

Anitta durante gravação do “Altas Horas” – Crédito: Instagram da cantora

A cantora de “Show das Poderosas” (“Solta o som que é pra me ver dançando/ Até você vai ficar babando”) foi ao “Altas Horas” nesta semana, em um programa que tinha apenas mulheres como convidadas (Anitta, Pitty, Fernanda Paes Leme e outras). A gravação foi na quarta (3); a exibição será no sábado (6).

Em certo momento, quando a conversa seguiu rumo para liberdades sexuais, Anitta soltou: “As mulheres dão muito mais em cima dos homens. Invertem-se os papeis. Então os homens não estão mais interessados. Eles pensam: ‘Vou dar em cima pra quê? Daqui a pouco a fulaninha me dá e vem pra cima de mim’. Isso afasta o homem, que pensa que a mulher está ali para pegar todo mundo”, como relata o Ego.

E continuou: “Não falo nem só da roupa. Eu vejo na noite mulheres ficando com homens porque eles estão pagando bebidas caras. Isso é uma coisa que eu acho estranho, e os homens pensam mal das mulheres. Não ficam interessados em ter mais nada com elas. Não acham legal”.

Aí Pitty entrou na discussão: “É o homem que está errado. Ele não tem que achar nada”, e foi aplaudida pela plateia.

Pouco depois, Anitta voltou: “As mulheres lutaram tanto para ter os mesmos direitos. Conseguiram um salário igual aos dos homens, conseguiram votar, conseguiram emprego. Com tudo isso, chegou uma hora em que a mulher quis tomar conta da situação. Elas acham que podem chegar e pegar 50 numa noite e fazer e acontecer. A mulher acabou querendo tomar o lugar do homem em todas as situações”.

Pitty novamente interferiu: “Nós ainda não temos os mesmos direitos”.

Anitta: “Mas estamos quase lá”.

Pitty: “Quase não é chegar lá. Estamos muito longe ainda”.

O que espanta não são apenas o machismo e a ignorância de Anitta. Machismo: é o homem quem tem de tomar conta da relação; mulher que fica com vários homens é galinha etc. Ignorância: segundo pesquisa do IBGE divulgada em outubro, as mulheres recebem 68% da renda dos homens.

O que chama a atenção é a hipocrisia de Anitta. Ela fez essas críticas às mulheres que “estão ali para pegar todo mundo, (…) fazer e acontecer” enquanto usava um microvestido que realmente merece o prefixo. Não consegui entender Anitta. Talvez a “pessoa Anitta” seja diferene da “funkeira Anitta”, que canta coisas como “Hoje eu vou pegar você/ Hoje eu vou pegar/Vem que eu já tô cheia de vontade de fazer acontecer/ Hoje eu vou te enlouquecer”.

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014 música | 17:55

John Grant e a mini-tour em que foi acompanhado por uma orquestra

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Ficou perfeita a união da voz grave de John Grant com as intervenções eletrônicas de sua banda e o acompanhamento da Royal Northern Sinfonia, em uma mini-tour que encerrou-se neste domingo (30) no Reino Unido. Grant passou por cidades como Liverpool, Edimburgo, Bristol, Manchester e Londres, entre outras.

Tocou faixas de seus dois discos-solo, “Queen of Denmark” (2010) e o excepcional “Pale Green Ghosts” (2013). Pena que isso provavelmente nunca poderá ser ouvido no Brasil.

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