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Arquivo de fevereiro, 2015

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015 música | 17:04

Tobias Jesso Jr.: aos 29 anos, uma nova voz no pop

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tobias

O canadense Tobias Jesso Jr. mudou-se para Los Angeles e tentou tocar guitarra, baixo e compor músicas para outros artistas/bandas, mas como o anonimato não o deixava, voltou para a Vancouver natal, para ficar com a mãe, que estava doente. Ele tinha 27 anos. Como havia um piano na casa, começou a compor usando o instrumento como base.

Isso foi em 2012. Pouco depois, com algumas faixas na mão, mandou um email para Chet JR White, que era uma das metades do Girls (ao lado do vocalista Christopher Owens). White gostou e colocou Tobias Jesso Jr em contato com o selo True Panther. O resultado disso é o disco “Goon”, que sai em 17 de março.

Além de White, o disco foi produzido por Patrick Carney, e pelo requisitado Ariel Rechshaid (Haim, Brandon Flowers, Sky Ferreira). e traz o hit “How Could You Babe”, que ele tocou em sua primeira apresentação na TV norte-americana, no programa do Jimmy Fallon, em uma versão emocionante.

A música é de uma melancolia dilacerante: “I guess we gave it a try/ And then I guess we tried again/ I don’t remember why/ But nothing’s as hard to do/ As just saying goodbye/ And when love is in the way,/ you gotta say/
“I guess love ain’t always right”/.

Esse vídeo está abaixo – em seguida, uma session que ele fez pro La Blogothèque.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015 música | 14:36

Tombo foi a melhor coisa que poderia ter acontecido a Madonna

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Madonna pouco antes de cair no Brit Awards - Gareth Cattermole/Getty Images

Madonna pouco antes de cair no Brit Awards – Gareth Cattermole/Getty Images

Ter caído de maneira tão espetacular no encerramento do Brit Awards, em cerimônia com transmissão ao vivo e globalizada, foi a melhor coisa que poderia ter acontecido a Madonna, nestes dias que antecedem o lançamento do 13º disco da cantora de 56 anos.

À parte exceções como campanhas em que marca de bebidas é acusada de estimular o estupro, o adágio “não existe publicidade ruim” continua a ser regra, especialmente para artistas como Madonna.

Menos de 24 horas depois da queda, uma pesquisa pelas palavras Madonna falls Brit no Google apresenta 89 milhões de resultados. Já se formos pesquisar por Madonna rebel heart (título do disco que sai na semana que vem), teremos 5,6 milhões de links. Com o tombo, Madonna volta a ser “o” assunto da hora.

O incidente acabou revelando-se positivo para Madonna por outros dois motivos: 1) Vimos que ela realmente estava cantando ao vivo, e 2) ela e sua stylist, B Akerlund, souberam brincar com o ocorrido nas redes sociais.

E Madonna não poderia ter escolhido música mais adequada para a apresentação do que “Living for Love”, em que ela canta: “Eu peguei minha coroa,/ coloquei novamente em minha cabeça/ eu posso perdoar/ mas nunca vou esquecer”.

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015 música | 14:16

Waxahatchee: os anos 1990 de volta por uma voz feminina

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waxahatchee

Waxahatchee Creek é um rio no Estado do Alabama que inspirou o nome da banda de uma menina só feita por Katie Crutchfield. “Ivy Tripp”, o terceiro disco do Waxahatchee, sai no começo de abril pelo selo Merge Records.

Não haveria casa melhor para este disco do que a Merge Records, gravadora dos caras do Superchunk, já que “Ivy Tripp”, pelo menos nas duas músicas já conhecidas do álbum, respira o mesmo ar que bandas indies dos anos 1990, como Superchunk, Lambchop, Karl Hendricks Trio (todas lançaram pela Merge). E a voz de Crutchfield lembra ainda a de Kim Deal, musa eterna do rock noventista.

Antes de criar o Waxahatchee (o primeiro disco é de 2012), Katie tinha uma banda com a irmã gêmea, Allison, chamada Ackleys – Allison agora é parte do quarteto Swearin.

De volta ao Waxahatchee: a direta e crua “Under a Rock” acaba de sair, enquanto “Air”, cheia de nuances, foi divulgada há um tempo. Esse disco promete.

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015 música | 13:40

Divers: Muito punk para o indie, muito indie para o punk

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divers

Soar como tanta coisa e lembrar tanta gente pode parecer falta de personalidade, mas no caso do Divers e deste disco “Hello Hello” a grande variedade de sons e referências guarda pelo menos uma característica em comum, a intensidade que está no centro de cada música, seja ela uma espécie de lamento, como “Getaway”, ou numa joia pop e garageira como “Breathless”.

A banda, de Portland, lança “Hello Hello”, o primeiro disco, na terça de carnaval. “Tracks”, “Lacuna”, “Listen Teller”, “Wild Calling”, “Stateline” – são várias as faixas recomendáveis do álbum.

E essa grande variedade de sons que aparecem no disco faz a banda ser chamada de punk, ou de indie, ou de punk-pop. O próprio quarteto diz: “Os indies dizem que somos uma banda punk. Os punks suspeitam que somos uma banda indie. As bandas que nos inspiram estão dos dois lados da cerca, mas elas compartilham o mesmo tipo de energia.”

O disco todo está abaixo.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015 música | 14:19

Charli XCX e o cover de “Shake It Off”

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É sempre arriscado fazer cover de músicas que dificilmente podem ser melhoradas, mas a Charli XCX surpreende com uma versão meio punk meio pop bubblegum de “Shake It Off”, joia pop da Taylor Swift. Não tem nada a ver com a original, mas é tão boa quanto.

O cover foi feito no programa “Live Lounge”, da britânica Radio 1.

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015 Cultura pop | 14:13

No futebol brasileiro, a barbárie vence a civilização

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Com o apoio do Ministério Público de São Paulo, do presidente do Palmeiras e de dirigentes da Federação Paulista de Futebol e da CBF, vem ganhando corpo a ideia de realizar clássicos em São Paulo com torcida única. Se isso for para a frente, será registrado (mais) um atestado de estupidez e incompetência do futebol brasileiro.

Estupidez porque a(s) causa(s) da violência no futebol não está nos estádios, mas fora deles. O sociólogo Mauricio Murad, que estuda e pesquisa o tema há anos, é autor de “A Violência no Futebol” e escreve o seguinte:

“A violência que se manifesta no futebol tem sua origem em questões mais profundas, de ordem social. Não é apenas o resultado daquilo que acontece nos estádios, embora isto também contribua. Os principais exemplos dessas questões sociais são o desemprego e o subemprego, a falta de consciência social, de educação e cidadania, o tráfico de drogas e o crime organizado, o descaso das autoridades, a desagregação dos valores familiares e escolares, a falta de policiamento ostensivo e preventivo, a impunidade, a corrupção. São as chamadas macroviolências, que aparecem no microcosmo do futebol, assim como em outros, por exemplo, no trânsito, na escola, na família. Neste último âmbito, chama atenção a crescente violência contra mulheres, crianças, idosos e deficientes físicos e mentais, cujo número de ocorrências é assustador.”

Ao proibir a entrada de torcedores do time rival nos estádios, os dirigentes procuram proteger não o espetáculo, mas as novas e milionárias arenas. É uma visão cínica e estreita, já que o foco está na depredação de algumas cadeiras dos estádios e não naqueles que sofrem com brigas e tumultos em estações de metrô, de trem, em terminais de ônibus e em ruas e avenidas da periferia.

Em vez de punir o bandido que comete um crime em que a vítima veste uma camisa com outras cores e procurar soluções que preservem a dignidade do torcedor, busca-se medidas espalhafatosas e de curto prazo, que não atacam as causas do problema.

E incompetência porque admitimos que não conseguimos organizar uma simples partida de futebol. Não apenas não é mais possível sentarmos ao lado de um torcedor de outro time, como não podemos nem mesmo ficarmos em um setor que seria destinado apenas aos torcedores do nosso time.

Copiamos o modelo italiano, que em 20 anos deixou de ter o campeonato mais valioso do mundo para se tornar apenas a quinta liga mais importante da Europa (atrás de Inglaterra, Alemanha, Espanha e França), com média de público de 16 mil pessoas – contra 43 mil na Alemanha, que, assim como a Inglaterra e a Espanha, permitem clássicos com torcedores de times rivais.

É a barbárie vencendo a civilização.

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