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quinta-feira, 9 de abril de 2015 música | 14:49

Sufjan Stevens transforma a morte da mãe em um disco sublime

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A morte da mãe – e as lembranças dos momentos passados juntos e as dúvidas sobre o que poderia ter sido mudado na relação entre os dois – foi transformada em disco pelo cantor Sufjan Stevens, e em vez de algo depressivo e sombrio, o resultado são 11 faixas que transpiram esperança e delicadeza.

“Carrie & Lowell”, o disco, tem esse nome em homenagem a Carrie Stevens, a mãe de Sufjan, e Lowell Brams, padrasto. Saiu há poucos dias, e é uma obra-prima construída apenas em cima de uma voz quase em sussurros e de violão (e um pouco de piano).

Carrie Stevens morreu em dezembro de 2012 vítima de um câncer no estômago. Era alcoólatra e sofria de depressão e esquizofrenia, e abandonou os filhos quando Sufjan tinha 1 ano (hoje ele tem 39). Ela casou-se com Lowell e, quando Sufjan tinha entre 5 e 8 anos, passou alguns verões com o casal. Tudo isso foi contado pelo próprio cantor em uma entrevista emocionante para o Pitchfork.

O contexto é essencial para entender este sétimo disco de Sufjan Stevens, que começa com a faixa “Death with Dignity”. Logo nos primeiros versos aparece a incapacidade de lidar com a perda: “Spirit of my silence/ I can hear you/ But I’m afraid/ To be near you”.

“Should Have Known Better” tem uma melodia doce para acompanhar a dor de Sufjan: “I should have known better/ Nothing can be changed/ The past is still the past/ The bridge to nowhere/ I should have wrote a letter/ Explaining what I feel, that empty feeling”.

Depois de “All of Me Wants All of You”, Sufjan lamenta, em “Eugene”, o vazio deixado pela mãe: “Whats the point of singing songs/ If they’ll never even hear you?”.

Um dos grandes momentos do disco é “Fourth of July”, em que Sufjan Stevens trata a morte de Carrie com uma crueza desconfortante (“The hospital asked/ Should the body be cast/ Before I say goodbye, my star in the sky”). Mas, também, com um afeto dilacerante (“What could I have said/ To raise you from de dead?/ Could I be the sky/ On the Fourth of July?/ (…) We’re all gonna die”).

Em “John My Beloved”, Sufjan confessa: “I love you more than the world can contain/In it’s lonely and ramshackle head”.

Um dos cantores mais talentosos de sua geração, Sufjan Stevens já passou pelo rock (como nos discos “Michigan” e “Illinois”), pela eletrônica (“The Age of Adz”) e até pelo rap (no projeto Sisyphus), mas é em “Carrie & Lowell” que ele aparece mais exposto. Por motivos óbvios, a morte não é dos temas mais recorrentes na música pop, mas foi o ponto de partida para Sufjan Stevens criar um disco memorável.

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