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Arquivo da Categoria Cultura pop

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015 Cultura pop | 14:13

No futebol brasileiro, a barbárie vence a civilização

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Com o apoio do Ministério Público de São Paulo, do presidente do Palmeiras e de dirigentes da Federação Paulista de Futebol e da CBF, vem ganhando corpo a ideia de realizar clássicos em São Paulo com torcida única. Se isso for para a frente, será registrado (mais) um atestado de estupidez e incompetência do futebol brasileiro.

Estupidez porque a(s) causa(s) da violência no futebol não está nos estádios, mas fora deles. O sociólogo Mauricio Murad, que estuda e pesquisa o tema há anos, é autor de “A Violência no Futebol” e escreve o seguinte:

“A violência que se manifesta no futebol tem sua origem em questões mais profundas, de ordem social. Não é apenas o resultado daquilo que acontece nos estádios, embora isto também contribua. Os principais exemplos dessas questões sociais são o desemprego e o subemprego, a falta de consciência social, de educação e cidadania, o tráfico de drogas e o crime organizado, o descaso das autoridades, a desagregação dos valores familiares e escolares, a falta de policiamento ostensivo e preventivo, a impunidade, a corrupção. São as chamadas macroviolências, que aparecem no microcosmo do futebol, assim como em outros, por exemplo, no trânsito, na escola, na família. Neste último âmbito, chama atenção a crescente violência contra mulheres, crianças, idosos e deficientes físicos e mentais, cujo número de ocorrências é assustador.”

Ao proibir a entrada de torcedores do time rival nos estádios, os dirigentes procuram proteger não o espetáculo, mas as novas e milionárias arenas. É uma visão cínica e estreita, já que o foco está na depredação de algumas cadeiras dos estádios e não naqueles que sofrem com brigas e tumultos em estações de metrô, de trem, em terminais de ônibus e em ruas e avenidas da periferia.

Em vez de punir o bandido que comete um crime em que a vítima veste uma camisa com outras cores e procurar soluções que preservem a dignidade do torcedor, busca-se medidas espalhafatosas e de curto prazo, que não atacam as causas do problema.

E incompetência porque admitimos que não conseguimos organizar uma simples partida de futebol. Não apenas não é mais possível sentarmos ao lado de um torcedor de outro time, como não podemos nem mesmo ficarmos em um setor que seria destinado apenas aos torcedores do nosso time.

Copiamos o modelo italiano, que em 20 anos deixou de ter o campeonato mais valioso do mundo para se tornar apenas a quinta liga mais importante da Europa (atrás de Inglaterra, Alemanha, Espanha e França), com média de público de 16 mil pessoas – contra 43 mil na Alemanha, que, assim como a Inglaterra e a Espanha, permitem clássicos com torcedores de times rivais.

É a barbárie vencendo a civilização.

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 Cultura pop | 15:48

Martin Scorsese e os espelhos

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O cineasta Martin Scorsese faz uso do reflexo dos personagens em cenas fundamentais de praticamente todos os seus filmes. O vídeo foi feito pelo editor Ali Shirazi.

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sexta-feira, 10 de outubro de 2014 Cultura pop | 15:48

Será que “Homeland” foi longe demais?

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Este texto contém spoilers.

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Confesso que eu quase desisti de “Homeland”, quando o roteiro se dividiu entre a ação que beirava o surrealismo e o novelão romântico entre Carrie Mathison e Nicholas Brody, durante a terceira e em parte da segunda temporadas.

Mas esta quarta temporada começou bem boa, com Carrie deslocada para uma base em Cabul, sozinha, com a filha de poucos meses morando com a irmã nos EUA. Ela já se distanciava do estereótipo de agente secreto ao ser forçada a conviver com a bipolaridade. Agora, sua principal luta parece ser não contra terroristas, mas com a incapacidade de ter uma relação minimamente afetiva com a filha.

O roteiro está menos absurdo (pelo menos nos dois primeiros episódios), focado bastante em dramas humanos sem cair na pieguice.

Além disso, o maniqueísmo do bem (EUA) contra o mal (basicamente o resto do mundo) que costumamos assistir em filmes e seriados norte-americanos é trocado em “Homeland” por uma ambiguidade que aflige personagens como o agente Peter Quinn e o jovem paquistanês Aayan Ibrahim, que vê a família ser morta em um bombardeio comandado por Carrie.

Com Brody fora da jogada, “Homeland” volta-se inteiramente para Carrie e seus dramas. Tanto que, em uma cena perturbadora envolendo a agente, os roteiristas parecem ter pesado a mão.

Chamada repentinamente aos EUA, Carrie é obrigada (sim, obrigada) a passar um tempo com a filha (os produtores conseguiram encontrar um bebê que é a cara de Brody). Até segurar a criança parece uma tarefa torturante para Carrie. E então ela aparece dando banho na filha em uma banheira.

A câmera foca na cara de Carrie, depois no bebê na água, depois em Carrie, depois no bebê com a cabeça quase submergindo. Aí já fica clara a sugestão do que se passa na mente de Carrie. Mas a cena segue. Vemos que Carrie realmente deixa o bebê  se afogar – e poucos segundos depois ela retira a filha da água.

É uma cena mais forte e chocante e repugnante do que todas as torturas e assassinatos já exibidos em “Homeland”. Carrie sofre de problemas psicológicos e tem uma rotina profissional mais do que estressante, mas não sei se o fato de ela ter ensaiado matar a própria filha em uma banheira tenha sido um passo longe demais dado pelo seriado.

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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014 Cultura pop | 14:47

Discos novos, capas velhas – Rodrigo Maia

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“Inspirado pelo trabalho de designers como Alex Steinweiss, David Stone Martin e Reid Miles da Blue Note, recriei algumas capas de discos modernas usando a estética da época. Esse é um projeto contínuo e uma homenagem.”

Assim o designr brasileiro Rodrigo Maia descreve o projeto New Records Old Covers, no qual ele redesenha capas de discos de nomes como Fleet Foxes, Rollins Band, Jeff Buckley, The National, Black Keys, Mazzy Star e vários outros emprestando a identidade visual de antigos discos de jazz.

Mais aqui.

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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014 Cultura pop | 18:15

“Laranja Mecânica”, “Star Wars”: Arquiteto faz ilustrações de set de filmes

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O arquiteto Federico Babina criou a série “Archiset”, na qual cria ilustrações em que imagina o interior do set de alguns filmes conhecidos. A série tem 17 desenhos.

Kubrick e Hitchcock são os preferidos de Babina (e tem até um Almodóvar).

"Star Wars - Guerra nas Estrelas"

“Star Wars – Guerra nas Estrelas”

"O Iluminado"

“O Iluminado”

"2001 - Uma Odisseia no Espaço"

“2001 – Uma Odisseia no Espaço”

"Playtime - Tempo de Diversão"

“Playtime – Tempo de Diversão”

"Festim Diabólico"

“Festim Diabólico”

"Descalços no Parque"

“Descalços no Parque”

"Na Roda da Fortuna"

“Na Roda da Fortuna”

"Sortilégio do Amor"

“Sortilégio do Amor”

 

"Bonequinha de Luxo"

“Bonequinha de Luxo”

"Intriga Internacional"

“Intriga Internacional”

"Os Tempos Modernos"

“Os Tempos Modernos”

"Um Convidado Bem Trapalhão"

“Um Convidado Bem Trapalhão”

"007 Contra Goldfinger"

“007 Contra Goldfinger”

 

"O Fim da Violência"

“O Fim da Violência”

"Tudo Sobre Minha Mãe"

“Tudo Sobre Minha Mãe”

"Laranja Mecânica"

“Laranja Mecânica”

"Um Corpo Que Cai"

“Um Corpo Que Cai”

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sexta-feira, 22 de novembro de 2013 cinema, Cultura pop | 13:23

O documentário “Cidade Cinza” e o grafite de São Paulo

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Osgemeos no mural que havia sido apagado

Osgemeos no mural que havia sido apagado

São Paulo é desenhada em duas cores: bege e cinza. O bege dos edifícios antigos e malcuidados, dos neo-clássicos que se impõem como fortalezas, dos shoppings que avançam sem parar. E o cinza do asfalto, dos muros intermináveis – e da tinta que a prefeitura usa para apagar o pouco de cor que ousa se meter nessa paisagem triste.

Na gestão Gilberto Kassab (e iniciativa continuada pelo governo Fernando Haddad), uma equipe terceirizada pela prefeitura de São Paulo passou a se deslocar pela cidade para apagar pixos e grafites. Essa política de higienização urbanística teve como ápice uma ação em 2008, quando foi apagado um mural de 700 metros quadrados entre a avenida 23 de Maio e a ligação Leste-Oeste. Segundo a administração municipal, “por engano”.

O grafiteiro Nunca

O grafiteiro Nunca

O episódio é o centro do documentário “Cidade Cinza”, dirigido por Marcelo Mesquita e Guilherme Valiengo, que já foi exibido no É Tudo Verdade, na Mostra de Cinema de SP e que nesta sexta (22) entra em cartaz em oito cidades (Brasília, Curitiba, João Pessoa, Porto Alegre, Salvador, Santos, São Paulo e Sorocaba).

“Cidade Cinza” não se propõe a mapear toda a produção de grafite paulistana – faz um recorte em torno de uma turma específica, principalmente Osgemeos. E vale a pena não apenas por nos aproximar do universo do grafite e da street art, mas porque revela um pouco mais sobre nossa relação com uma metrópole.

“O grafite é o único meio para os jovens falarem. Os jovens estão muito calmos hoje em dia”. A declaração é d’Osgemeos – e é quase premonitória, já que anterior às manifestações de junho de 2013.

Agente contratado pela prefeitura apaga grafite em SP

Agente contratado pela prefeitura apaga grafite em SP

O grafite é coisa séria em São Paulo – parece que só a prefeitura ainda não entendeu isso. Osgemeos é um nome estabelecido no mercado de arte (representado pela Fortes Villaça); Nunca é chamado para fazer murais da Inglaterra à Art Basel de Miami etc. “O grafite ajuda a  compor a cidade, o caos da cidade, e isso é algo positivo”, opina o crítico de arte Fabio Cypriano no documentário.

Talvez o principal acerto do filme não esteja nas cenas dos grafiteiros, mas quando acompanha a equipe encarregada de apagar os grafites. São trechos quase surreais de tão absurdos. Não há nenhum critério – os homens decidem o que apagam ou não de acordo com o que acham “bonito” ou “feio”. “Apagamos o que achamos que é feio. Isso aqui é arte? Isso não é arte!”, brada um dos agentes. E joga tinta cinza sobre um desenho.

O que aconteceu com o painel apagado é emblemático de como o poder público de São paulo enxerga a cultura de rua – após alguns meses, o mural foi restaurado. Com verba não da prefeitura, mas da Associação Comercial de São Paulo. A prefeitura entrou depois que a obra foi terminada. “Muito bonito”, diz Gilberto Kassab, com certo constrangimento, em meio a repórteres e assessores.

Um dos agentes da prefeitura diz o óbvio: “Eles (os grafiteiros) pintem, a gente apaga. Mas estamos enxugando gelo”. O grafiteiro Ise resume: “Em São Paulo é muito fácil pintar. Só não pinta quem não quer”.

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013 Cultura pop | 12:40

O verdadeiro Banksy, os falsos Banksys e a esfinge roubada de Banksy

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Banksy é o maior artista vivo? Talvez, como revela a “ocupação” que este inglês está promovendo em Nova York.

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Neste outubro, Banksy realiza uma ação por dia na cidade norte-americana. Pode ser um desenho ironizando uma proibição, uma pichação, um vídeo em que rebeldes árabes matam o Dumbo, uma tiração de sarro com gente pedante, um caminhão que simula um abatedoudo em trabalho chamado “Sirens of the Lambs”, uma performance na qual vendeu por US$ 60 obras originais que no mercado de arte chegam a custar US$ 500 mil; uma escultura que ironiza o McDonald’s, uma parceria com Osgemeos.

Provocador e irônico, o autor do filme “Exit Through the Gift Shop” intervém na paisagem das ruas e mexe com as pessoas. Suas obras repercutem.

Por exemplo, a performance no Central Park, na qual vendeu as obras por US$ 60. Dos 40 trabalhos, Banksy vendeu apenas três, mas a iniciativa movimentou o noticiário. Uma semana depois, três artistas replicaram a ação: montaram uma banquinha no parque e colocaram uma placa: “Fake Banksy”. Cada réplica das obras de Banksy era vendida por US$ 60 e acompanhada de um “certificado de inautenticação”. Dave Cicirelli, George Gross e Lance Pilgrim venderam tudo.

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“(Nossa ação) era idêntica à de Banksy, mas com duas diferenças”, escreveu Cicirelli em seu blog. “A percepção do público mudou. E nosso trabalho não vale nada.” Banksy, em sua performance, havia cutucado o mercado de arte e o valor que colocamos em uma obra. E gerou uma nova performance.

Uma pichação motivou críticas ao inglês. Banksy escreveu “Gueto 4 Life” em um muro no Bronx, acompanhado pelo desenho de um garoto e um mordomo. Alguns moradores do bairro ficaram furiosos. “É uma forma fácil de perpetuar o que as pessoas pensam do South Bronx. É desrespeitoso. Ninguém vem morar aqui porque quer ser gueto”, disse uma moradora.

Na terça (22), Banksy foi ao Queens e montou uma escultura em concreto que é uma réplica da esfinge de Gizé, no Egito. Pois na mesma terça a escultura foi roubada. Segundo o New York Post, um caminhão parou no local e uma mulher pagou 20 homens para colocarem a escultura dentro do veículo. Fãs do artista que estavam no local naquele momento ficaram revoltados, mas a obra foi levada.

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sexta-feira, 3 de maio de 2013 Cultura pop | 12:56

Fotógrafo recria cenas de filmes com imagens atuais

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Que ideia sensacional. O fotógrafo Christopher Moloney vai a locais que serviram de locação para filmes e recria as cenas unindo a imagem do longa à paisagem real.

Segundo o próprio site de Moloney, suas imagens podem ser vistas em casas e galerias de países como Reino Unido, canadá, Rússia, Itália, Estados Unidos e Brasil.

"Seven"

"Anos Incríveis"

"De Volta para o Futuro"

"Transformers"

"O Cavaleiro das Trevas Ressurge"

"Os Embalos de Sábado Continuam"

"O Bebê de Rosemary"

"Cocktail"

"Sex and the City 2"

"Intriga Internacional"

Tem muito mais no site de Moloney.

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sexta-feira, 19 de abril de 2013 Cultura pop | 13:11

"Mad Men" volta ao Brasil – o sonho acabou

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Com o descanso de “Homeland”, “House of Cards” e “Downton Abbey”, é mais do que bem-vinda a volta de “Mad Men” – a sexta temporada da série já teve três episódios exibidos nos EUA; no Brasil, o primeiro e o segundo episódios vão ao ar na segunda (dia 22), às 21h, pela HBO.

Prepare-se. Enquanto a quinta temporada foi (com pontuais exceções) como um passeio colorido embalado pelas descobertas e sonhos dos anos 1960, esta sexta temporada (pelo menos o que nos indicam estes primeiros episódios) será como um baque que joga os personagens em um buraco escuro. O sonho acabou.

Na (ótima) quinta temporada, vimos divertidas viagens de LSD; uma Peggy mais confiante, crescendo profissionalmente e mudando de agência; Don Drapper firme e apaixonado pela mulher; Megan engrenando carreira de atriz. Mas, no finalzinho do último episódio, tivemos um indício do que viria – Don está num bar quando uma mulher aparece e pergunta: “Você está sozinho?”.

Corta para a sexta temporada. Don e Megan estão no Havaí. Enquanto Megan dança, se diverte, dá autógrafo, Don permanece calado (solta a primeira palavra vários minutos após o início do episódio). E retoma memórias da infância e da guerra.

Aparentemente, nada acontece nestes primeiro e segundo episódios. Há pouquíssima ação. Mas tem muita coisa acontecendo. A morte está ali, rondando. Há um vazio existencial sufocante, falta de perspectiva, traições, personagens querendo ser/ter o que não são/têm.

Vou parar por aqui para não entregar muito. Este início de sexta temporada não é de digestão fácil. Mas mostra por que “Mad Men” é uma série única na TV – ainda bem.

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sexta-feira, 12 de abril de 2013 Cultura pop | 16:52

Dentro do mundo do Slayer

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“Children of the Grave” é o projeto da fotógrafa Sanna Charles que vai virar livro no meio deste ano.

As imagens registram fãs do Slayer dentro dos shows ou fora deles. Sanna começou o projeto em 2003, no festival europeu Download. Como a apresentação da banda estava atrasaada, ela aproveitou para fotografar o público.

A ideia cresceu, e Sanna chegou a acompanhar turnês do Slayer. Como ela explica no site, as imagens já foram exibidas em cinco países e em algumas revistas e jornais.

Vi aqui.

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