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quinta-feira, 20 de março de 2014 música | 19:01

Haim, Delorean, Simpaticona da Boate, Au Revoir Simone, a volta do Wu-Tang Clan e o novo Raury

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Tanta coisa rolando. E coisas boas.

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As irmãs Haim em Londres - Getty Images

As irmãs Haim em Londres – Getty Images

Depois de “Forever”, “Don’t Save Me”, “Falling” e “The Wire”, o disco “Days Are Gone” ainda tem fôlego para soltar mais um single. Do primeiro álbum, as irmãs Haim agora trabalham em cima de “If I Could Change Your Mind”.

A música está sendo impulsionada não apenas por um ótimo vídeo, mas por remixes que dão a “If I Could Change Your Mind” caras novas que não decepcionam. Primeiro saiu a versão do norte-americano MK. Agora, quem mexe na faixa são os espanhois Delorean – banda eletrônica que lançou o incontornável EP “Ayrton Senna”, em 2009, que trazia o delicioso hit “Deli”.

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E a campanha para prensar o vinil da “Simpaticona da Boate” deu certo. A música foi lançada oficialmente com uma festa nesta semana no paulistano Lions e pode ser ouvida/vista por meio de um caprichado vídeo. O clipe tem vários personagens da noite de São Paulo/Brasil e até o Mau Mau relembrando a época de b-boy no largo São Bento.

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Já escrevi aqui (incluindo no post sobre os melhores de 2013), sobre “Move in Spectrums”, do trio Au Revoir Simone. Inexplicavelmente pouco comentado, o disco já seria grande mesmo se tivesse saído apenas com uma música, “Crazy”. E poderemos ouvir essa faixa ao vivo – em 11 de maio, o ARS fará show em São Paulo, no Cine Joia, ao lado do Cibo Matto.

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O velho e o novo.

O Wu-Tang Clan está (pra valer) de volta. Um dos nomes mais importantes do rap está para lançar “A Better Tomorrow” (mesmo nome do filme do John Woo de 1986), sexto disco do coletivo de RZA, Ghostface Killah, GZA, Method Man, Raekwon, U-God etc. (o quinto disco, “8 Diagrams”, saiu em 2007).

O primeiro single do disco foi revelado nesta semana. É a boa “Keep Watch”, que está abaixo.

O Wu-Tang Clan inspirou um monte de gente, mas (acho) nem tanto o Raury. Esse norte-americano de 17 anos, saído de Atlanta, cita como heróis Outkast, Michael Jackson, Coldplay e, sério, Phil Collins. Disse tudo isso à “Billboard”.

Raury já tem empresário e equipe de marketing, então não chega a ser surpresa que tenha sido entrevistado por uma revistona como a “Billboard”, mas a desenvoltura com que passeia em meio a r&b-folk-rap-rock fez o adolescente ser elogiado por veículos como Noisey, 2DopeBoyz e por alguns bons blogs. A música de um e de outro não tem nada em comum, mas, pela idade e por não estar dentro do padrão jovem-bonitinho-de-revista e pelo potencial de virar mega, Raury está sendo comparado a Lorde. Não é pouca coisa.

Abaixo, a ótima “God’s Whisper”.

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013 música | 14:19

A música pop em 2013: surpresas, decepções, esquecidos e duas obras-primas (e o Morrissey)

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Alex Turner (Arctic Monkeys) em show em Los Angeles - foto Getty Images

Alex Turner (Arctic Monkeys) em show em Los Angeles – foto Getty Images

Dos três discos que mais ouvi em 2013, dois são duas obras-primas. Um deles, “AM”, tem uma casca de simplicidade que se quebra quando nos damos conta da riqueza de detalhes de cada uma de suas 12 músicas. É de uma força sonora que não se impõe pela agressivdade ou rapidez, mas pela solidez das letras e apuro melódico. Parece ter sido feito por um veterano, mas é cria de uma banda que lançou o primeiro disco há apenas sete anos. “AM” tem letras que se desenvolvem com uma naturalidade absurda, como nos primeiros tempos de Arctic Monkeys (“R U Mine?”, “Why’d You Only Call Me When You’re High?); riffs poderosos (“Do I Wanna Know?”, “I Want It All”); baladas emocionantes (“Nº 1 Party Anthem”, “I Wanna Be Yours”); joias pop (“Arabella”, “Mad Sounds”, “Fireside”, “Knee Socks”) e o melhor britpop feito desde 1996 (“Snap Out of It”). Mesmo com uma estrutura convencional de baixo, guitarra e bateria e um teclado aqui e ali, o Arctic Monkeys construiu um universo próprio. Acima de todos no rock.

A outra obra-prima é “Nothing Was the Same”, terceiro do Drake. É, ao lado de “Yeezus”, o disco de rap mais ambicioso de 2013. Mas enquanto o disco do Kanye West me pareceu meio confuso e anárquico, “Nothing Was the Same” é um colosso que homenageia com classe o passado (“Pound Cake”, com participação de Jay Z, “Wu-Tang Forever”) e nos revela o futuro (“Hold On, We’re Going Home”, um r&b eletrônico diferente de tudo o que existe por aí). Drake pode não ser o melhor MC do mundo, mas é de uma versatilidade assombrosa – se dá bem tanto nos raps “puros” como “Started from the Bottom” e “The Language”, como na eletrônica (“Connect”) e nos souls (“Too Much” e “From Time”). O cara ainda se dá ao luxo de deixar uma faixa como “All Me” apenas como bonus track e de soltar “5 AM in Toronto” como single fora do álbum.

O outro disco que mais ouvi foi “Pure Heroine”, da Lorde. Essa foi a maior surpresa do ano. Porque uma cantora de apenas 17 anos, da Nova Zelândia, que não se encaixa dentro dos padrões estéticos das atuais cantoras popstars e que não tem uma voz particularmente especial conseguiu produzir não apenas um dos megahits de 2013 (“Royals”) mas também um disco cheio de maravilhas pop. Lorde nos remete a Lily Allen (na espetacular “Buzzcut Season”), Grimes (“Ribs”) e Florence Welch (“Team”, “Glory and Gore”), e consegue até superá-las.

A outra boa surpresa deste 2013 foi a dupla inglesa Disclosure. Dois moleques (19 e 22 anos) que se apoiam em um subgênero da dance music (o UK Garage) para produzir dance music global e popular. Não precisaram de grandes estruturas e investimentos para fazer um disco bem produzido, que soa quente e que ganha ainda mais corpo com a participação de vários vocalistas convidados. Foi o nome da dance music em 2013.

Uma das decepções do ano é o oposto do Disclosure. O Daft Punk gastou uma grana que não foi pouca (US$ 1 milhão) para gravar “Random Access Memories” em estúdios em Nova York, Los Angeles e Paris. A dupla queria um som que fosse o contrário do que se produz atualmente na dance music que se tornou popular nos EUA (Deadmau5, Kaskade, Afrojack, Skrillex etc.) e, assim, criar um disco com um tom “orgânico”. Os próprios daft punks disseram em entrevistas que queriam um disco que soasse como os grandes LPs de funk dos anos 1970, feitos com músicos “de verdade” e não por máquinas. O resultado é um disco careta, chato, pretensioso (a faixa “Giorgio by Moroder” beira o ridículo), que foi impulsionado por uma das estratégias de marketing mais agressivas já vistas na músicas. O Daft Punk já fez álbuns inovadores. “Random Access Memories” é convencional e antiquado.

A outra decepção do ano foi o Arcade Fire. Esperava muito de “Reflektor” depois que foi divulgado que a produção seria responsabilidade de James Murphy. Mas a parceria não funcionou. O toque disco-punk característico de JM não combinou com a grandiosidade do AF. Às vezes parece que estamos diante de um mash-up malfeito.

Este 2013 será também lembrado por vários outros bons discos, como “Matangi” (MIA), “Wondrous Bughouse” (Youth Lagoon), “Old” (Danny Brown), “The Inheritors” (James Holden), o do Jon Hopkins, das Savages, os nacionais da Gang do Eletro, Don L., Mixhell, Aldo, Vespas Mandarinas, Karol Conká. Mas dois discos MUITO BONS não podem ser esquecidos: “Move in Spectrums”, do Au Revoir Simone, e “Pale Green Ghosts”, do John Grant.
O primeiro tem uma das mais perfeitas faixas do ano (“Crazy”) e é um casamento harmonioso entre sintetizadores e vocais pop. Já “Pale Green Ghosts” é um caso sério. John Grant escreve letras desconcertantes, que vão da ironia à desesperança e à raiva. “Remember walking hand in hand side by side?/ We walked the dogs and took long strolls to the park/ Except we never had dogs/ And never went to the park”, ele canta em “You Don’t Have To”.

E também tivemos o Morrissey. Em livro, não em disco. Engraçado, irônico, às vezes melancólico, muito bem escrito, “Autobiography” pode ser lido em poucas horas (e será lançado em breve no Brasil, pela editora Globo). Só acho que deveria chamar “Memories” ou coisa parecida, já que o texto é menos uma autobiografia que se atém a fatos e mais uma coleção de pensamentos e lembranças. Os momentos mais engraçados são quando Morrissey ataca nomes como Tony Wilson e, principalmente, Geoff Travis, o dono da gravadora Rough Trade.  Morrissey poderia apenas dedicar um pouco mais de páginas aos Smiths e menos a desancar Mike Joyce e Andy Rourke. Sabíamos que Morrissey tinha a manha para compor, agora sabemos que ele tem talento também como escritor.

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013 música | 11:00

Audac e Au Revoir Simone: o (bom) pop enquanto sonho

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“Uh, you girls you drive me crazy/ Uh, you girls you drive me crazy”. É o melhor refrão do ano (pelo menos para mim) este de “Crazy”, do trio de meninas Au Revoir Simone.

“Crazy” está no ótimo “Move In Spectrums”, o terceiro disco da banda nova-iorquina, que acaba de sair. E “Move In Spectrums” pode ser dividido em duas partes, tipo lado A e lado B.

Dá pra dizer que seis das primeiras sete músicas formam o “lado A” de “Move in Spectrums”. São as faixas mais festeiras, “pra cima”, nas quais a bateria eletrônica se impõe sobre os teclados. São os casos de “More Than”, que lembra New Order, da irresistível “Crazy” e da enérgica (e quase pós-uink) “Just Like a Tree”.

O dream pop característico do ARS (vocal quase falado, melodias que parecem flutuar sobre as nuvens) está presente no disco todo , mas no “lado B” ganha um tom mais melancólico. São as quatro últimas faixas do disco (além de “We Both Know”, meio perdida no início do álbum). O romântico e a dor movem com classe “Love You Don’t Know Me” e “Hand Over Hand”. E “Let the Night In” encerra como uma pintura de sintetizadores psicodélicos.

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Gostei do disco de estreia da banda curitibana Audac logo de cara porque tem apenas oito músicas (e como a primeira é apenas uma intro de poucos segundos, temos apenas sete músicas cheias). Banda nova, ainda sem história e experiência, tem de lançar disco e fazer shows curtos, ir direto ao ponto, deixar o público querendo mais.

Um ponto que chama a atenção é o fato de o disco ter sido produzido por Gordon Raphael, o cara responsável pelos dois primeiros álbuns dos Strokes. O Audac não tem nada a ver com as guitarras retrô da banda norte-americana, mas dá para perceber uma crueza e certa urgência que Gordon Raphael trouxe para o grupo curitibano.

O dream pop do Audac é construído em cima de teclados, efeitos de guitarra e um vocal feminino doce. O disco surpreende porque muda bastante entre uma faixa e outra. Comeca com a lenta e hipnótica”Distress”, passa pela melódica “Dark Side”, diverte em “Brian May’s Coin”, vira meio Joy Division em “Real Painkiller”. E ‘Back to the Future”, cheia de climas, é música de gente grande.

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