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terça-feira, 15 de abril de 2014 música | 17:59

O sucesso de Calvin Harris no Coachella prova: nos EUA, a dance music é o novo pop

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Calvin Harris no Coachella 2014 - Getty Images

Calvin Harris no Coachella 2014 – Getty Images

A volta ao vivo do Outkast depois de 10 anos. O show cheio de hits e convidados do Pharrell. A parafernália tecnológica do Muse. A celebração colorida do Arcade Fire. Nada disso foi páreo para um escocês e seu laptop. A apresentação com maior público do Coachella 2014 foi a do DJ/produtor Calvin Harris (foi o segundo maior público DA HISTÓRIA do Coachella, perdendo apenas para o do show conjunto de Dr. Dre e Snoop Dogg com o holograma do Tupac Shakur, em 2012).

Calvin Harris é reflexo da (tardia) chegada da dance music aos EUA. Se a dance music popularizou-se na Europa entre o final dos anos 80/começo dos 90 e no Brasil a partir do início dos anos 00, nos EUA a música eletrônica nunca havia se tornado forte para valer. Isso mudou pouco tempo atrás, com a ascensão de nomes que juntam batidas eletrônicas com melodias pop, como Skrillex, Tiesto, David Guetta, Swedish House Mafia. E aí a dance music (ou EDM, de electronic dance music, como chamam nos EUA) hoje ficou tão ou mais forte do que o rock nos EUA. Até a “Forbes” escreve: “No other festival genre may be bigger business than EDM”.

Não foi à toa que a “New Yorker” usou o DJ Afrojack como ponto de partida para uma extensa reportagem sobre o crescimento da EDM nos EUA, especialmente em Las Vegas – na cidade dominada pelo jogo, os hoteis estão começando a ganhar mais grana com festas do que com os cassinos (o subtítulo da reportagem da “NY” é “Can Las Vegas make more money from dance music than from gambling?”.

A “Rolling Stone” fez uma lista das 50 pessoas mais poderosas da EDM. Entre os 10 mais, há apenas um DJ/produtor (Skrillex). As figuras mais poderosas são agentes de DJs, ou executivos como o comandante da área de EDM da gigante Live Nation, ou organizadores de festivais como Ultra (Miami) e Electric Daisy Carnival (Las Vegas) – cada um desses eventos atrai mais de 300 mil pessoas. A lista mostra que a música eletrônica não é mais coisa de jovens hedonistas, mas um negócio sério (e bastante lucrativo) dominado por corporações.

Diplo no Electric Daisy Carnival 2013 - Getty Images

Diplo no Electric Daisy Carnival 2013 – Getty Images

O próprio uso da sigla EDM é um indicativo do papel que a dance music tomou na América do Norte. Se na Europa (e no Brasil) os DJs e produtores são divididos por gêneros e subgêneros (techno, house, electro-house, dubstep, pós-dubstep etc.), nos EUA tudo e todos se acomodam sob o termo EDM: Skrillex, Calvin Harris, Deadmau5, Diplo, David Guetta. A classificação genérica diminui a rejeição. Fica mais fácil vender.

Mesmo as constantes críticas a respeito do consumo de drogas entre os frequentadores de clubes e festivais de EDM não são suficientes (pelo menos por enquanto) para afugentar investidores ou enfraquecer os eventos. Quando uma agente de segurança ficou ferida em um tumulto na última edição do Ultra Festival, o prefeito de Miami cogitou banir o festival da cidade. Alguns dias depois, desistiu da ideia. Talvez porque lembrou-se que o evento gera cerca de US$ 223 milhões por ano e 1.800 empregos diretos.

A dance music é o novo pop. Até a Disney percebeu. Na semana que vem, a companhia lança o disco “DConstructed”, em que clássica músicas de animações como “O Rei Leão”, “Muppets”, “Os Incríveis” e “A Bela Adormecida” ganham remixes de gente como Armin van Buuren, Kaskade e Axwell, entre outros.

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