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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012 música | 15:25

Criolo e Emicida juntos

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Foi o primeiro grande show do ano em SP, segundo o Augusto Gomes, o encontro de Criolo e Emicida, no Sesc Pompeia, em São Paulo, na quinta-feira (dia 5). Não é exagero.

Com os dois, não apenas o rap, mas a música pop brasileira é redesenhada com traços contemporâneos (mas conhecendo-se o passado), cosmopolitas (mas com o pé fincado no Brasil) e divertidos (mas sem esconder a crítica social/política).

A dupla puxa, retorce e estica o rap com o auxílio da soul music, do funk, do samba, do rock. O resultado é enérgico, dançante, denso.

No palco de um Sesc Pompeia lotado, os dois aparecem acompanhados de uma banda de nove músicos mais DJ e vocalistas de apoio. Emicida é o primeiro a tomar o microfone, e manda faixas como “Sorrisos e Lágrimas’. Criolo fica no backing vocal.

Em “Mariô”, de Criolo, Emicida improvisa no meio da música, soltando nomes de vários grupos de rap do Brasil. Em “Subirusdoistiozin”, Criolo mostra que é um craque no rap-canção.

Enquanto Criolo é centrado, exalando tensão, Emicida brinca, faz piadas. Improvisa e rima com uma facilidade impressionante. Já Criolo impõe ainda mais força a faixas como “Não Existe Amor em SP” (um rap-trip hop que já está se tornando clássico) e “Grajauex” (talvez a mais feroz música feita no Brasil em 2011).

Os dois vão se revezando com o microfone principal até que, ao final, fazem uma pequena homenagem ao rap brasileiro. Entram trechos de músicas dos Racionais, Xis e até “Pule ou Empurre”, do RPW.

Em disco e, principalmente em show, Criolo e Emicida, juntos ou separados, são o farol da nova música pop do Brasil.

A série de shows vai até domingo. Os ingressos estão esgotados. Dê um jeito de ir. Vale a pena.

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quarta-feira, 20 de julho de 2011 música | 17:38

Criolo no Studio SP

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Criolo no Studio SP - Foto: José de Holanda

A batida da música é agressiva, e Criolo mexe os braços com violência; em um bolero, canta de maneira sóbria e dramática; quando aparece um rap, despeja versos em velocidade surpreendente; em silêncio, porta-se como um xamã a guiar o público.

O que surpreende neste cantor-rapper-showman de 35 anos não é a naturalidade com que passa por samba, rap, bolero, brega, soul music, mas sua intensidade  em cima do palco.

Em show esgotado no Studio SP, na terça-feira, Criolo se apresenta como se sua vida dependesse de sua performance.

Nascido no Grajaú, bairro da periferia sul de São Paulo, como Kleber Cavalcante Gomes, lançou há pouco “Nó Na Orelha”, em que funde todos os ritmos citados acima. (Leia entrevista.) Se no disco uma competente banda cria os alicerces para Criolo construir suas ideias, ao vivo os músicos se tornam meros figurantes diante da força de Criolo.

Criolo no Studio SP - Foto: José de Holanda

O show inicia com “Mariô”, e Criolo traz a África para a rua Augusta. “Sucrilhos” e “Subirusdoistiozin” mostram como  sua voz passeia tranquilamente por tons bem distintos.

Em “Não Existe Amor em SP”, já uma das mais simbólicas músicas do novo pop deste país, Criolo emprega uma teatralidade exata. Dramaticidade que não falta à dor de “Freguês da Meia Noite” e ao cover de “Domingo à Tarde”, de Nelson Ned.

Rap, Nelson Ned, samba, “Não Existe Amor em SP”. Faz muito sentido com a intensidade de Criolo no palco.

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sexta-feira, 29 de abril de 2011 música | 19:34

Rap é o berço atual da música pop

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Odd Future, Das Racist, Wiz Khalifa nos EUA; Rincon Sapiência, Emicida, Criolo, Slim Rimografia, Lurdez da Luz no Brasil.

Não é à toa que o rap está ocupando bom espaço no noticiário pop. É do gênero que está saindo não apenas boa música, mas gente provocadora, que foge do padrão, que tem coisas interessantes pra falar.

A música pop é uma indústria. Empresários de shows; organizadores de festivais; agências de artistas; jornais, revistas, sites, TV, rádio, YouTube. Essa cadeia precisa ser alimentada. Quem faz isso? É preciso surgir nomes constantemente para que as engrenagens continuem trabalhando.

O rock ficou com a missão no final dos anos 1980 (grunge), no meio dos 1990 (britpop), no início dos 2000 (novo rock).

A eletrônica entrou no final dos 1990, com Chemical Brothers, Prodigy, Underworld e outros extrapolando os limites das pistas de dança.

O rap historicamente (e infelizmente) sempre foi colocado meio à margem dessa indústria – por preconceito, ignorância. Nunca foi fácil vender shows do gênero para patrocinadores, ou emplacar reportagens em grandes veículos – fazer a mesma tarefa com gente nova do rock e da eletrônica era bem mais tranquilo.

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Hoje, me parece, é no rap onde estão aparecendo nomes capazes de alimentar essa indústria. Como o Odd Future.

O coletivo (o nome é Odd Future Wolf Gang Kill Them All) tem oito, nove caras, todos com pouco mais de 20 anos, se tanto.

Seus shows são o que se espera de shows de rock: imprevisíveis, anárquicos, potentes. O líder do Odd Future, Tyler the Creator, é o que se espera de um líder de uma banda de rock: inteligente, desafiador, não-domesticado por assessores e executivos.

Em uma entrevista, perguntaram a Tyler: qual seu objetivo? “Ser melhor do que todo mundo. Porque eu odeio todo mundo e eu quero ser melhor do que todo mundo e eu quero que todos saibam disso”. Não faz média, é ambicioso, sabe onde quer chegar.

Entende-se por que uma publicação como o semanário “NME” (que sempre se dedicou às guitarras, preferencialmente de jovens brancos), tenha Tyler estampado em sua atual capa. Ou por que Pharrell Williams (Neptunes, NERD) paga pau para eles. Ou por que a MTV está tão animada com os caras.

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No Brasil, a situação é parecida. Já ouviu o disco novo do Criolo (ex-Criolo Doido)? Para entender o mundo do Criolo, que une rap, samba e até bolero, esta entrevista feita pelo Pedro Alexandre é uma porta de entrada.

E uma das faixas mais legais feitas neste país é esta que você ouve/vê abaixo.

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