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sexta-feira, 11 de abril de 2014 música | 19:32

Disclosure – “The Mechanism”

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O Disclosure no Lollapalooza Brasil - Claudio Augusto/iG

O Disclosure no Lollapalooza Brasil – Claudio Augusto/iG

Essa não entrou no set do Lollapalooza Brasil. É “The Mechanism”, faixa do Disclosure em colaboração com o produtor de Liverpool Friend Within.

“The Mechanism” sai pelo selo PMR e chega ao Beatport na terça-feira (15 de abril). E mostra que o Disclosure não erra.

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013 música | 14:19

A música pop em 2013: surpresas, decepções, esquecidos e duas obras-primas (e o Morrissey)

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Alex Turner (Arctic Monkeys) em show em Los Angeles - foto Getty Images

Alex Turner (Arctic Monkeys) em show em Los Angeles – foto Getty Images

Dos três discos que mais ouvi em 2013, dois são duas obras-primas. Um deles, “AM”, tem uma casca de simplicidade que se quebra quando nos damos conta da riqueza de detalhes de cada uma de suas 12 músicas. É de uma força sonora que não se impõe pela agressivdade ou rapidez, mas pela solidez das letras e apuro melódico. Parece ter sido feito por um veterano, mas é cria de uma banda que lançou o primeiro disco há apenas sete anos. “AM” tem letras que se desenvolvem com uma naturalidade absurda, como nos primeiros tempos de Arctic Monkeys (“R U Mine?”, “Why’d You Only Call Me When You’re High?); riffs poderosos (“Do I Wanna Know?”, “I Want It All”); baladas emocionantes (“Nº 1 Party Anthem”, “I Wanna Be Yours”); joias pop (“Arabella”, “Mad Sounds”, “Fireside”, “Knee Socks”) e o melhor britpop feito desde 1996 (“Snap Out of It”). Mesmo com uma estrutura convencional de baixo, guitarra e bateria e um teclado aqui e ali, o Arctic Monkeys construiu um universo próprio. Acima de todos no rock.

A outra obra-prima é “Nothing Was the Same”, terceiro do Drake. É, ao lado de “Yeezus”, o disco de rap mais ambicioso de 2013. Mas enquanto o disco do Kanye West me pareceu meio confuso e anárquico, “Nothing Was the Same” é um colosso que homenageia com classe o passado (“Pound Cake”, com participação de Jay Z, “Wu-Tang Forever”) e nos revela o futuro (“Hold On, We’re Going Home”, um r&b eletrônico diferente de tudo o que existe por aí). Drake pode não ser o melhor MC do mundo, mas é de uma versatilidade assombrosa – se dá bem tanto nos raps “puros” como “Started from the Bottom” e “The Language”, como na eletrônica (“Connect”) e nos souls (“Too Much” e “From Time”). O cara ainda se dá ao luxo de deixar uma faixa como “All Me” apenas como bonus track e de soltar “5 AM in Toronto” como single fora do álbum.

O outro disco que mais ouvi foi “Pure Heroine”, da Lorde. Essa foi a maior surpresa do ano. Porque uma cantora de apenas 17 anos, da Nova Zelândia, que não se encaixa dentro dos padrões estéticos das atuais cantoras popstars e que não tem uma voz particularmente especial conseguiu produzir não apenas um dos megahits de 2013 (“Royals”) mas também um disco cheio de maravilhas pop. Lorde nos remete a Lily Allen (na espetacular “Buzzcut Season”), Grimes (“Ribs”) e Florence Welch (“Team”, “Glory and Gore”), e consegue até superá-las.

A outra boa surpresa deste 2013 foi a dupla inglesa Disclosure. Dois moleques (19 e 22 anos) que se apoiam em um subgênero da dance music (o UK Garage) para produzir dance music global e popular. Não precisaram de grandes estruturas e investimentos para fazer um disco bem produzido, que soa quente e que ganha ainda mais corpo com a participação de vários vocalistas convidados. Foi o nome da dance music em 2013.

Uma das decepções do ano é o oposto do Disclosure. O Daft Punk gastou uma grana que não foi pouca (US$ 1 milhão) para gravar “Random Access Memories” em estúdios em Nova York, Los Angeles e Paris. A dupla queria um som que fosse o contrário do que se produz atualmente na dance music que se tornou popular nos EUA (Deadmau5, Kaskade, Afrojack, Skrillex etc.) e, assim, criar um disco com um tom “orgânico”. Os próprios daft punks disseram em entrevistas que queriam um disco que soasse como os grandes LPs de funk dos anos 1970, feitos com músicos “de verdade” e não por máquinas. O resultado é um disco careta, chato, pretensioso (a faixa “Giorgio by Moroder” beira o ridículo), que foi impulsionado por uma das estratégias de marketing mais agressivas já vistas na músicas. O Daft Punk já fez álbuns inovadores. “Random Access Memories” é convencional e antiquado.

A outra decepção do ano foi o Arcade Fire. Esperava muito de “Reflektor” depois que foi divulgado que a produção seria responsabilidade de James Murphy. Mas a parceria não funcionou. O toque disco-punk característico de JM não combinou com a grandiosidade do AF. Às vezes parece que estamos diante de um mash-up malfeito.

Este 2013 será também lembrado por vários outros bons discos, como “Matangi” (MIA), “Wondrous Bughouse” (Youth Lagoon), “Old” (Danny Brown), “The Inheritors” (James Holden), o do Jon Hopkins, das Savages, os nacionais da Gang do Eletro, Don L., Mixhell, Aldo, Vespas Mandarinas, Karol Conká. Mas dois discos MUITO BONS não podem ser esquecidos: “Move in Spectrums”, do Au Revoir Simone, e “Pale Green Ghosts”, do John Grant.
O primeiro tem uma das mais perfeitas faixas do ano (“Crazy”) e é um casamento harmonioso entre sintetizadores e vocais pop. Já “Pale Green Ghosts” é um caso sério. John Grant escreve letras desconcertantes, que vão da ironia à desesperança e à raiva. “Remember walking hand in hand side by side?/ We walked the dogs and took long strolls to the park/ Except we never had dogs/ And never went to the park”, ele canta em “You Don’t Have To”.

E também tivemos o Morrissey. Em livro, não em disco. Engraçado, irônico, às vezes melancólico, muito bem escrito, “Autobiography” pode ser lido em poucas horas (e será lançado em breve no Brasil, pela editora Globo). Só acho que deveria chamar “Memories” ou coisa parecida, já que o texto é menos uma autobiografia que se atém a fatos e mais uma coleção de pensamentos e lembranças. Os momentos mais engraçados são quando Morrissey ataca nomes como Tony Wilson e, principalmente, Geoff Travis, o dono da gravadora Rough Trade.  Morrissey poderia apenas dedicar um pouco mais de páginas aos Smiths e menos a desancar Mike Joyce e Andy Rourke. Sabíamos que Morrissey tinha a manha para compor, agora sabemos que ele tem talento também como escritor.

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terça-feira, 28 de maio de 2013 música | 19:51

Mais Disclosure: "F For You" e "Grab Her!"

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Não está fácil acompanhar a movimentação causada pela novíssima dupla Disclosure.

Como escrevi neste espaço, os irmãos Guy (22 anos ) e Howard (19 anos) Lawrence lançam o primeiro disco, “Settle”, na segunda-feira. E além de “White Noise”, “You & Me”, “When a Fire Starts to Burn” e “Latch” (dá para ouvir todas no Soundcloud dos caras), apareceram mais duas faixas do álbum.

Se as quatro músicas anteriores revelavam uma dupla que sabia combinar clima de pista com vocais pop, “F For You” vai ainda mais fundo nesse clima. “F For You” tem no vocal o Howard Lawrence e é hit imediato.

Já “Grab Her!”, outra faixa de “Settle”, foi tocada pelo Zane Lowe na Radio 1 na segunda-feira. “Grab Her!” tem sample do grande J. Dilla. Dá para ouvir por aqui (depois do 1min40).

O ótimo Boiler Room vai receber um set do Disclosure na segunda-feira. Poderá ser visto online.

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segunda-feira, 27 de maio de 2013 música | 16:58

Disclosure: como dois irmãos estão dominando a dance music

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Jessie Ware canta com o Disclosure no Coachella 2013 - foto: Getty Images

Uma banda sabe que tornou-se importante quando passa a ser alvo de discussões apaixonadas. O Disclosure chegou lá.

Disclosure é uma dupla formada pelos irmãos Guy e Howard Lawrence. Os dois são ingleses, de uma cidadezinha colada a Londres, e têm apenas 19 (Howard) e 22 (Guy) anos.

A pouca idade é inversamente proporcional ao tamanho do barulho que o Disclosure está provocando na dance music. Para o Guardian, por exemplo, desde que surgiram Fatboy Slim e Chemical Brothers um nome não causava tanto estrondo na música eletrônica britânica. Mas muita gente joga pedras no Disclosure – alegando, principalmente, que a dupla se aproxima demais do pop e exagera nas músicas com vocais.

O esperto blog Truants até fez um post “in Defence of Disclosure”. O texto do “Guardian” tem o título “Como o Disclosure está reiniciando a dance music”.

Não sei se o Disclosure está reinventando algo, mas eles estão a um passo de se tornarem tão grandes como David Guetta, Deadmau5 e Skrillex. A dupla já trilha um caminho importante para “acontecer”: o mercado norte-americano. Já circulam por clubes do país e chegaram a fechar um dos palcos do Coachella 2013.

O que conta a favor da “dominação” Disclosure é o fato de a dupla pegar o ouvido tanto de quem gosta de eletrônica como de quem ouve rock e pop. Os irmãoes são adorados, por exemplo, pelo veterano das pistas Pete Tong e, pra ficar apenas entre os DJs da  ótima Radio 1, e pelo “roqueiro” Zane Lowe. São noticiados tanto pelo New Musical Express e pela Spin como pelo Resident Advisor.

O que eles fazem enquadra-se dentro do UK Garage, gênero filho da house e precursor do dubstep que fez bastante sucesso no Reino Unido nos anos 1990. Nas músicas do Disclosure encontramos muitos vocais soul, batidas que combinam melodia e energia de pista.

O single “Latch” vendeu mais de 300 mil cópias apenas no Reino Unido. De novo: em uma época em que ninguém compra música, dois irmãos que produzem eletrônica na casa em que moram vendem 300 mil cópias de um single que pode ser encontrado/ouvido/baixado facilmente na internet.

O primeiro disco, “Settle”, sai na semana que vem e traz participações de nomes como Jessie Ware, Eliza Doolittle, Jamie Woon, AlunaGeorge, entre outros.

Enquanto o Daft Punk passa por três estúdios em três cidades diferentes para produzir um disco nostálgico e sem riscos, os irmãos Disclosure produzem música inquieta e contemporânea a partir de laptops e pouca coisa mais. O domínio da dance music deve mudar de mãos.

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