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sexta-feira, 13 de setembro de 2013 música | 13:53

Arctic Monkeys e Elvis Costello & The Roots: quanto mais, melhor

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Não sei quanto a você, mas sinto uma enorme preguiça com texto que elogia disco com o argumento de que “melhora a cada audição”. Não me parece nada empolgante. Mas sou obrigado a entrar nessa com os novos do Arctic Monkeys e Elvis Costello & The Roots.

Alex Turner em show do Arctic Monkeys no Glastonbury 2013 - Getty Images

De “AM”, do Arctic Monkeys, quase desisti depois de ouvir uma ou duas vezes. Sentia o disco quadrado demais, convencional, um rock setentista que não me dizia nada. Errado. O disco é precioso.

Tem tanta coisa ali. Peso, psicodelia, sol, histórias divertidascomo a de uma garota que tem a cabeça nos anos 70 mas se comportam como amantes contemporâneas (“Arabella”), riffs espetaculares (“I Want It All”), falsetes. Fora que o disco é MUITO bem produzido (o som da bateria é límpido, robusto e agressivo ao mesmo tempo).

Percebemos que estamos diante de um cara que tem o que dizer e de uma banda que sabe o que faz aos 2min01 de “Do I Wanna Know?”. O ritmo diminui, e Alex Turner diz: “So have you got the guts?/ Been wondering if your heart’s still open/ If so I wanna know what time it shuts”. Momentos depois, a música volta a ganhar peso. Brilhante.

Alex Turner aparece chapado em  “Why’d You Only Call Me When You’re High?”: “Now it’s three in the morning and I’m trying to change your mind/ Left you multiple missed calls and to my message, you reply/ ‘Why’d you only call me when you’re high, high?'”.

Como The National e LCD Soundsystem, o Arctic Monkeys deixou longe a fase “I Bet You Look Good on the Dancefloor”. Está fazendo música “adulta”- não no sentido de “velha”, mas de menos imediatista, menos hormonal; mais pensada.

É o caso também de “Wise Up Ghost”, o álbum que reúne Elvis Costello e a banda de hip hop The Roots.

Esses dois sempre fizeram música “adulta”, mas essa parceria foi algo surgido meio ao acaso. Costello encontrou o Roots quando foi ao programa do Jimmy Fallon. Por diversão, começaram a gravar, sem divulgar muita coisa. O resultado é um disco certeiro.

Se há uma música que te pega logo de cara no disco é a primeira, “Walk Us Uptown”. Um quase-ska divertido que lembra um Roots mais antigo.

Em seguida, em “Sugar Won’t Work”, Costello assume a rédea e leva a canção para um caminho blues. “Come the Meantimes” explora o vocalde Costello e a capacidade rítmica do Roots. Já “Cinco Minutos Con Vos” ganha tom quase etéreo com o vocal da mexicana Marisoul (da banda La Santa Cecilia).

“Wise Up Ghost” não é um disco fácil, tem personalidade forte. É feito por gente grande.

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