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quinta-feira, 27 de março de 2014 música | 10:52

Entrevista – Rock? Dance? Psicodelia? O Jagwar Ma tem tudo isso

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jagwarma

“A originalidade está nos detalhes.” E esses detalhes podem ser vários quando ouvimos os australianos Jagwar Ma. A dupla/trio faz show nesta quinta em São Paulo, no Audio, dentro do festival Popload Gig, e na sexta no Rio de Janeiro. “Dupla/trio” porque a banda é formada originalmente por Jono Ma (produtor, tecladista) e Gabriel Winterfield (guitarrista, vocalista), mas ao vivo ganha a participação do baixista Jack Freeman.

Uma banda de rock? Uma dupla de eletrônica? Música psicodélica? O Jagwar Ma pode ser tudo isso – são os detalhes que fazem toda a diferença. “Sim, a originalidade está nos detalhes”, me disse Gabriel, concordando com a afirmação de Jono. “E algumas pessoas são espertas o suficiente para captá-los. Em nosso caso, por exemplo, sim, somos uma banda, mas não tocamos com um baterista. Será que somos uma banda?

“Não somos uma banda de rock, mas ao mesmo tempo não somos um projeto de música eletrônica”, continua Jono, em conversa que tive com o trio no Espaço Cult, em São Paulo. Gabriel segue: ” Não somos o Chemical Brothers. Eles se apresentam com duas pessoas e a performance é bem passiva, com todo o visual, eles não necessariamente têm vocalista ao vivo, é música eletrônica saindo de sintetizadores. Com o Daft Punk é a mesma coisa. Então gosto de pensar que estamos fazendo algo diferente”.

Difícil classificar uma banda como o Jagwar Ma. Porque é uma banda que cria música “aberta” – no sentido de que deixa muito espaço para a interpretção do ouvinte. Por exemplo: quando eu ouço “Come Save Me” tocada ao vivo, me parece uma mistura de “The Private Psychedelic Reel”, do Chamical Brothers, com Kula Shaker. Já “Man I Need” me parece o tipo de música que o Stone Roses faria se estivesse começando agora.

As comparações são as mais variadas. “Um cara nos procurou em Buenos Aires e disse que um amgio sabia que ele gostava de Animal Collective, por isso sugeriu que ouvisse Jagwar Ma, pois achava parecidos. Eu gostei, pois pelo menos usaram alguém contemporâneo como parâmetro, e não alguma banda de Manchester dos anos 90”, brinca Gabriel.

“Comparações sempre existiram e é engraçado como essas comparações são malfeitas em retrospecto. Comparavam os Beatles com Elvis!”, exclama Gabriel. Ele tenta aprofundar o papo. “Há um limite na quantidade de som que pode ser feito. Não é algo infinito. Então as pessoas tentam cortar pequenos segmentos e mais pequenos segmentos de música, para encontrar a diversidade nessa finitude. Praticamente todas as bandas que surgiram depois dos anos 50 podem ser chamadas de rock, mas como vamos cortando e mudando esses pequenos segmentos, vamos encontrando algo diferente na música. Faz sentido?”

A diversidade que ouvimos no Jagwar Ma está na gênese da banda. O grupo foi formado como um projeto paralelo de Jono e Gabriel, que há três anos estavam em outros grupos. “Não procuramos uma fórmula: ‘Ah, vamos ter uma banda que faça isso’. As músicas que foram saindo eram mais otimistas e positivas do que o que fazíamos em nossas outras bandas”, conta Jono. “Aquela liberdade foi positiva, pois não havia pressão ou limites, foi algo bem aberto. Não foi como se disséssemos ‘vamos fazer uma banda como Joy Division. Você toca baixo, você guitarra…’. Apenas entrávamos no estúdio e fazíamos música.”

Ao vivo as músicas do Jagwar Ma ficam ainda mais dançantes e imprevisíveis e psicodélicas. “Nós definitivamente queríamos colocar mais energia nas músicas durante os shows”, diz Jono. “Uma das coisas que gosto na dance music é a repetição de notas. Em como pode-se criar algo tão simples e deixar para que a imaginação preencha os espaços. É um diálogo entre a banda, que diz algo tão simples, e o público, que coloca sua imaginação. Fazemos isso ao vivo com algumas canções.”

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