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Posts com a Tag john grant

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014 música | 17:55

John Grant e a mini-tour em que foi acompanhado por uma orquestra

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Ficou perfeita a união da voz grave de John Grant com as intervenções eletrônicas de sua banda e o acompanhamento da Royal Northern Sinfonia, em uma mini-tour que encerrou-se neste domingo (30) no Reino Unido. Grant passou por cidades como Liverpool, Edimburgo, Bristol, Manchester e Londres, entre outras.

Tocou faixas de seus dois discos-solo, “Queen of Denmark” (2010) e o excepcional “Pale Green Ghosts” (2013). Pena que isso provavelmente nunca poderá ser ouvido no Brasil.

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quarta-feira, 27 de agosto de 2014 música | 17:13

Música no museu: John Grant

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johngrant

“I still keep trying to figure out how I became irrelevant/ How I got myself evicted from his heart from one day to the next/
And the worst part is that, even if I got an answer right now/ It would not change anything because we have become two strangers”.

Trecho de “It Doesn’t Matter to Him”, faixa dilacerante que está em “Pale Green Ghosts”, um dos discos de 2013, o segundo do grande John Grant.

Grant cantou a música em uma performance dentro da Tate, um dos principais espaços de arte do Reino Unido. Um espetáculo.

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quarta-feira, 5 de março de 2014 música | 14:22

John Grant na Irlanda (e com Sinéad O’Connor)

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John Grant (dir.) em show do Midlake no BBC6 Music Festival - Divulgação

John Grant (dir.) em show do Midlake no BBC6 Music Festival – Divulgação

O grande John Grant retornou aos palcos neste carnaval, quando engatou turnê europeia que começou pela Irlanda, passa por Inglaterra e depois segue por Alemanha, Dinamarca, Bélgica e tantos outros lugares.

A presença do norte-americano Grant na Europa começou no BBC6 Music Festival, na sexta-feira (dia 28), com uma participação no show do Midlake no evento ocorrido em Manchester no qual tocaram ainda Damon Albarn, Kelis, Franz Ferdinand, National, The Horrors, Haim.

Na segunda (dia 3), o dono do criminosamente pouco ouvido “Pale Green Ghosts”, disco lançado em 2013, fez show no Olympia, de Dublin, em que recebeu dois convidados locais: a cantora Sinéad O’Connor e Conor O’Brien (este da banda Villagers).

Ao vivo, fica ainda mais nítida a força das músicas de Grant. Com Sinéad O’Connor, ele canta a irônica “GMF” (“I am the greatest motherfucker/ That you’re ever gonna meet/ From the top of my head/ Down to the tips of the toes on my feet”). Com a cantora e O’Brien, a linda “Glacier”.

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014 música | 16:12

John Grant – “Glacier”

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Não conheço ninguém que esteja fazendo músicas tão bonitas como o John Grant. São letras às vezes tristes, às vezes engraçadas, às vezes desesperançosas, às vezes românticas – mas sempre muito bem escritas.

Um dos discos mais surpreendentes de 2013, “Pale Green Ghosts” é uma coleção de 11 faixas que se apoiam na voz quase grave de Grant e em texturas melódicas que podem ser tanto eletrônicas quanto acústicas.

Já falei do disco e do John Grant neste e neste posts, e abro espaço novamente para este cantor norte-americano de 45 anos por causa do ótimo vídeo que ganhou a ótima “Glacier”.

“Glacier” é uma balada de sete minutos que fecha o disco, e a música começa assim: “You just want to live your life/ the best way you know how/ but they keep telling you/ that you are not allowed”.

A música (e o vídeo) fazem referências à luta pelos direitos dos gays – Grant é assumidamente gay e boa parte de “Pale Green Ghosts” trata do fim de um relacionamento do cantor.

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014 música | 14:04

O espetacular John Grant (e o Parquet Courts) na TV

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Poucas vozes são como as de John Grant. Não porque esse norte-americano de 45 anos e que recentemente descobriu ser portador do vírus HIV faça malabarismos vocais ou tenha o alcance de um tenor. Mas ele sabe colocar o tom certo às suas letras que vão da ironia à melancolia, da raiva à desesperança.

johngrant

O segundo e mais recente disco, “Pale Green Ghosts”, é um espetáculo (no post sobre 2013, escrevi que é um dos álbuns que não deveriam passar despercebidos). Música para adultos (como LCD Soundsystem, National, Magical Cloudz), que pede um pouco mais de atenção, cheia de detalhes.

E o cara escreve bem demais. Por exemplo, uma das grandes (e até das mais convencionais) do disco é “GMF”, que John Grant apresentou no programa do David Letterman. “Half of the time I think I’m in some movie/ I play the underdog of course/ I wonder who they’ll get to play me/ Maybe they could dig up Richard Burton’s corpse”, diz um trecho da letra. Outro: “So go ahead and love me while it’s still a crime/ And don’t forget you could be laughing/ 65 percent more of the time”.

O próprio Letterman não resistiu: Ao final, cumprimenta John Grant e manda: “It’s the loveliest song I heard about an asshole”. (O vídeo já começa com a música iniciada.)

E a semana nos deu ainda a estreia na TV norte-americana do Parquet Courts. Gosto da banda, e “Stoned and Starving” é daquelas faixas que ajudam a definir uma época. Guitarras que lembram Sonic Youth, textura seca como Strokes. Uma beleza.

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013 música | 14:19

A música pop em 2013: surpresas, decepções, esquecidos e duas obras-primas (e o Morrissey)

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Alex Turner (Arctic Monkeys) em show em Los Angeles - foto Getty Images

Alex Turner (Arctic Monkeys) em show em Los Angeles – foto Getty Images

Dos três discos que mais ouvi em 2013, dois são duas obras-primas. Um deles, “AM”, tem uma casca de simplicidade que se quebra quando nos damos conta da riqueza de detalhes de cada uma de suas 12 músicas. É de uma força sonora que não se impõe pela agressivdade ou rapidez, mas pela solidez das letras e apuro melódico. Parece ter sido feito por um veterano, mas é cria de uma banda que lançou o primeiro disco há apenas sete anos. “AM” tem letras que se desenvolvem com uma naturalidade absurda, como nos primeiros tempos de Arctic Monkeys (“R U Mine?”, “Why’d You Only Call Me When You’re High?); riffs poderosos (“Do I Wanna Know?”, “I Want It All”); baladas emocionantes (“Nº 1 Party Anthem”, “I Wanna Be Yours”); joias pop (“Arabella”, “Mad Sounds”, “Fireside”, “Knee Socks”) e o melhor britpop feito desde 1996 (“Snap Out of It”). Mesmo com uma estrutura convencional de baixo, guitarra e bateria e um teclado aqui e ali, o Arctic Monkeys construiu um universo próprio. Acima de todos no rock.

A outra obra-prima é “Nothing Was the Same”, terceiro do Drake. É, ao lado de “Yeezus”, o disco de rap mais ambicioso de 2013. Mas enquanto o disco do Kanye West me pareceu meio confuso e anárquico, “Nothing Was the Same” é um colosso que homenageia com classe o passado (“Pound Cake”, com participação de Jay Z, “Wu-Tang Forever”) e nos revela o futuro (“Hold On, We’re Going Home”, um r&b eletrônico diferente de tudo o que existe por aí). Drake pode não ser o melhor MC do mundo, mas é de uma versatilidade assombrosa – se dá bem tanto nos raps “puros” como “Started from the Bottom” e “The Language”, como na eletrônica (“Connect”) e nos souls (“Too Much” e “From Time”). O cara ainda se dá ao luxo de deixar uma faixa como “All Me” apenas como bonus track e de soltar “5 AM in Toronto” como single fora do álbum.

O outro disco que mais ouvi foi “Pure Heroine”, da Lorde. Essa foi a maior surpresa do ano. Porque uma cantora de apenas 17 anos, da Nova Zelândia, que não se encaixa dentro dos padrões estéticos das atuais cantoras popstars e que não tem uma voz particularmente especial conseguiu produzir não apenas um dos megahits de 2013 (“Royals”) mas também um disco cheio de maravilhas pop. Lorde nos remete a Lily Allen (na espetacular “Buzzcut Season”), Grimes (“Ribs”) e Florence Welch (“Team”, “Glory and Gore”), e consegue até superá-las.

A outra boa surpresa deste 2013 foi a dupla inglesa Disclosure. Dois moleques (19 e 22 anos) que se apoiam em um subgênero da dance music (o UK Garage) para produzir dance music global e popular. Não precisaram de grandes estruturas e investimentos para fazer um disco bem produzido, que soa quente e que ganha ainda mais corpo com a participação de vários vocalistas convidados. Foi o nome da dance music em 2013.

Uma das decepções do ano é o oposto do Disclosure. O Daft Punk gastou uma grana que não foi pouca (US$ 1 milhão) para gravar “Random Access Memories” em estúdios em Nova York, Los Angeles e Paris. A dupla queria um som que fosse o contrário do que se produz atualmente na dance music que se tornou popular nos EUA (Deadmau5, Kaskade, Afrojack, Skrillex etc.) e, assim, criar um disco com um tom “orgânico”. Os próprios daft punks disseram em entrevistas que queriam um disco que soasse como os grandes LPs de funk dos anos 1970, feitos com músicos “de verdade” e não por máquinas. O resultado é um disco careta, chato, pretensioso (a faixa “Giorgio by Moroder” beira o ridículo), que foi impulsionado por uma das estratégias de marketing mais agressivas já vistas na músicas. O Daft Punk já fez álbuns inovadores. “Random Access Memories” é convencional e antiquado.

A outra decepção do ano foi o Arcade Fire. Esperava muito de “Reflektor” depois que foi divulgado que a produção seria responsabilidade de James Murphy. Mas a parceria não funcionou. O toque disco-punk característico de JM não combinou com a grandiosidade do AF. Às vezes parece que estamos diante de um mash-up malfeito.

Este 2013 será também lembrado por vários outros bons discos, como “Matangi” (MIA), “Wondrous Bughouse” (Youth Lagoon), “Old” (Danny Brown), “The Inheritors” (James Holden), o do Jon Hopkins, das Savages, os nacionais da Gang do Eletro, Don L., Mixhell, Aldo, Vespas Mandarinas, Karol Conká. Mas dois discos MUITO BONS não podem ser esquecidos: “Move in Spectrums”, do Au Revoir Simone, e “Pale Green Ghosts”, do John Grant.
O primeiro tem uma das mais perfeitas faixas do ano (“Crazy”) e é um casamento harmonioso entre sintetizadores e vocais pop. Já “Pale Green Ghosts” é um caso sério. John Grant escreve letras desconcertantes, que vão da ironia à desesperança e à raiva. “Remember walking hand in hand side by side?/ We walked the dogs and took long strolls to the park/ Except we never had dogs/ And never went to the park”, ele canta em “You Don’t Have To”.

E também tivemos o Morrissey. Em livro, não em disco. Engraçado, irônico, às vezes melancólico, muito bem escrito, “Autobiography” pode ser lido em poucas horas (e será lançado em breve no Brasil, pela editora Globo). Só acho que deveria chamar “Memories” ou coisa parecida, já que o texto é menos uma autobiografia que se atém a fatos e mais uma coleção de pensamentos e lembranças. Os momentos mais engraçados são quando Morrissey ataca nomes como Tony Wilson e, principalmente, Geoff Travis, o dono da gravadora Rough Trade.  Morrissey poderia apenas dedicar um pouco mais de páginas aos Smiths e menos a desancar Mike Joyce e Andy Rourke. Sabíamos que Morrissey tinha a manha para compor, agora sabemos que ele tem talento também como escritor.

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