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sexta-feira, 12 de setembro de 2014 cinema, música | 16:21

Documentário “The Punk Singer” deveria ser exibido em escolas

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Kathleen_Hanna

Assisti finalmente ao documentário “The Punk Singer”, lançado nos EUA em 2013 e que retrata a vida da Kathleen Hanna, feminista, ativista e vocalista dos excelentes Bikini Kill, Le Tigre e Julie Ruin.

O filme é um espetáculo não apenas porque reafirma como a música das bandas era/é muito boa mas também por mostrar a luta de Hanna pela igualdade de direitos, principalmente pelo viés do feminismo. É um filme incisivo, esclarecedor e emocionante. Deveria ser exibido nas escolas.

O Bikini Kill surgiu no início dos anos 1990, em Olympia (Estado de Washington), formado por Hanna, Tobi Vail, Kathi Wilcox e Billy Karren. Época em que o Nirvana, que apareceu na mesma região, ajudava a mudar o mundo. As meninas do Bikini Kill mal sabiam tocar seus instrumentos, mas isso pouco importava.

Elas faziam Punk (assim, em maiúscula), com Kathleen Hanna berrando letras que escancaravam o machismo que reinava no mundo do rock e a violência sofrida por mulheres. “Meninas, para a frente do palco! Meninos, para trás!”, costumava gritar Hanna nos shows, para evitar que elas fossem vítimas de socos e pontapés que eram dados pelos mais “valentões”. Era início dos anos 1990, mas o Bikini Kill ainda faz muito sentido hoje, em que a intolerância e o sexismo aparecem por todos os lados (já viu o clipe de “Blurred Lines”?).

Um dos grandes méritos do filme foi ter revelado por que Kathleen Hanna praticamente largou a música em 2005. Como já é de conhecimento público, conto aqui: porque ela sofria da doença de Lyme, que é transmitida por um carrapato e, se não tratada a tempo, causa dores articulares, paralisia e taquicardia – Hanna demorou cinco anos para receber o diagnóstico correto.

(O documentário me fez lembrar de uma briga entre o Beastie Boys e o Prodigy. Lembro que num Reading Festival de anos atrás os BB iriam se apresentar imediatamente antes do Prodigy, que fecharia o palco principal. Durante o show, os caras do BB pediram para o Prodigy não tocar “Smack My Bitch Up”, porque a música poderia incentivar a violência contra as mulheres. E aí durante o show do Prodigy eles meio que tiraram sarro dos BB e tocaram a faixa. E a molecada pulou bastante durante a música, que é escancaradamente ofensiva.)

O filme mostra muito mais (tem depoimentos de Kim Gordon e Joan Jett, por exemplo), desde o nascimento do Riot Girrrl até a recuperação de Hanna, e merece muito ser visto. Em tempos em que a palavra punk tornou-se tão desgastada, “The Punk Singer” coloca algumas coisas no lugar.

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