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Posts com a Tag Lollapalooza

segunda-feira, 30 de março de 2015 música | 14:08

Lollapalooza 2015: vencedores e perdedores

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No sábado, fui ao autódromo de Interlagos, e o som estava ótimo. No domingo, assisti pela TV, e o som estava aquela coisa de show pela TV: sem graves nem agudos.

Calvin Harris - Divulgação

Calvin Harris – Divulgação

VENCEDORES

Música eletrônica – Skrillex e Major Lazer no sábado; Calvin Harris no domingo. Foram vistos por muita gente, e por muita gente j0vem e animada. Barulhenta e pop, a eletrônica que está tomando os EUA faz muito sucesso aqui no Brasil também.

Robert Plant – Tocou músicas novas que não mancham a reputação deste senhor de 66 anos e tocou músicas velhas em versões inesquecíveis. “Going to California” emocionou, e a reconstrução de “Black Dog” mostra que Plant é um roqueiro que envelhece com dignidade.

Jack White – Talvez o melhor músico da geração 00? Tradicionalista e ao mesmo tempo único ao usar tantas influências de maneira tão natural.

St. Vincent – Esquisita, barulhenta, pop, teatral, ousada, inquieta.

St Vincent - Divulgação

St Vincent – Divulgação

Pharrell Williams – Existe alguém que tenha mais hits do que esse cara?

Pitty – Sabe fazer música pesada, sabe como atuar em um palco grande e não faz concessões. Passa pela melhor fase da carreira.

Pitty - Divulgação

Pitty – Divulgação

Interpol – Banda em ótima fase, que deveria ter tocado em um horário mais nobre do que o meio da tarde de domingo.

PERDEDORES

Fãs de Marina and the Diamonds – Sim, eles existem, não são poucos e não puderam nem pedir o dinheiro de volta com o cancelamento do show.

Alt-J – Músicas que se arrastam num clima monótono. No palco grande, não rolou.

Smashing Pumpkins – Billy Corgan se perdeu em algum lugar dos anos 1990.

Bastille – Rock para quem não gosta de rock.

Bandas brasileiras – Far from Alaska, Boogarins, Fatnotronic: bons nomes que foram colocados para tocar muito cedo.

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segunda-feira, 9 de abril de 2012 música | 14:24

Um fim de semana no Jockey

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Festival realizado desde 1991 nos EUA, o Lollapalooza finalmente desembarcou no Brasil. O que eu vi nesse fim de semana no Jockey Club de SP.

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Sábado: 75 mil pessoas. Domingo: 60 mil pessoas. Essas 15 mil pessoas fizeram MUITA diferença. No domingo, o público sofreu bem menos com filas (para comprar fichas, para ir ao banheiro), na chegada e na saída do evento.

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O Jockey Club agradou. Havia problemas no palco secundário e na tenda eletrônica – eram pertos, e o som embolava. Mas nada tão grave quanto o valor cobrado por água e cerveja (R$ 4 e R$ 8) .

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O sábado, claro, teve um dono: Foo Fighters. As outras bandas eram apenas coadjuvantes. O dia não foi fácil. Cage the Elephant é um genérico do genérico do grunge. Band of Horses faz rock tradicionalista, quadrado, sem novidade. Na tenda eletrônica, a coisa não estava melhor: o set da Peaches, por exemplo, foi constrangedor (electro-datado-2001, performance kitsch). O TV on the Radio foi um alívio: som consistente, complexo. “Wolf Like Me” e “Staring at the Sun” foram sublimes.

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Não imagino que algum fã do Foo Fighters tenha saído insatisfeito com o show da banda. Em 2h30, tocaram hits, covers, teve participação da Joan Jett, Dave Grohl estava simpático como sempre. O Foo Fighters encontrou um formato (rock rápido, com refrãos pop na medida para agradar ao maior número possível de pessoas) e se apegou a ele.

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Se a tenda eletrônica foi qualquer coisa no sábado, no domingo era O lugar para se estar. Primeiro por causa do Skrillex. Não porque seja incrível (é um dubstep refigurado com melodias trance e dinâmica pop), mas porque é música autoral, só dele: Skrillex music. Dance music adrenalizada, rápida, que não deixa respirar, adolescente.

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E a tenda foi fechada pelo Racionais. Já escrevi sobre o show para o iG. A banda pode estar há anos sem lançar disco, deixa um caminhão de hits de fora, mesmo assim faz uma apresentação na qual mostra por que é um dos nomes mais importantes da história da música pop brasileira. Poucos compõem e cantam como Mano Brown, poucos conseguem criar músicas tão cruas e líricas, poucos constróem uma ligação tão emotiva com os fãs.

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O Friendly Fires teve momentos irresistíveis (“Lovesick”, “Paris”, “Live Those Days Tonight”). Também já escrevi sobre. Representa bem o rock dos anos 00, que não respeita fronteiras. Misturam guitarras com pop dos anos 1980, funk, house. Mas às vezes essa mistura desanda – principalmente nas faixas do segundo disco.

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Vi um pouco do Jane’s Addiction, o suficiente para perceber como Perry Farrell ficou caricato. Já o MGMT ensinou como estragar boas músicas ao vivo.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011 música | 15:31

Lollapalooza no Brasil

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Foo Fighters e Arctic Monkeys serão as atrações principais do Lollapalooza-BR, que será montado no Jockey Club de SP em 7 e 8 de abril de 2012.

Além deles, o festival terá MGMT, Jane’s Addiction, TV on the Radio, Gogol Bordello, Foster the People, Thievery Corporation, Skrillex, Calvin Harris, Cage the Elephant, Band of Horses, Joan Jett, Friendly Fires, Pretty Lights, Crystal Method, Peaches e vários outros.

A pré-venda começa nesta terça. O passaporte para os dois dias custa R$ 500.

Dave Grohl, do Foo Fighters, em show em maio; Getty Images

Já vi bastante gente reclamando do Lolla-BR no Twitter e no Facebook: reclamando porque banda tal não foi escalada; porque banda tal foi escalada; porque a Bjork toca no Lolla-Chile e não no Lolla-BR; porque será feito no Jockey; porque o ingresso está caro.

Alguns pitacos:

* Nenhum festival no mundo é unanimidade. Festival com escalação perfeita é o festival escalado por você. Não tem jeito. Se até festivais gigantescos, como Coachella, Reading e Glastonbury têm line-ups criticados, não seria diferente com o Lolla-BR.

* A escalação, no geral, foi bem feita. Um headliner grande, para puxar público (Foo Fighters); uma banda relativamente grande que também ajuda a chamar público (Arctic Monkeys); grupos já veteranos ou com certa rodagem (Joan Jett; Thievery Corporation; Jane’s Addiction; TV on the Radio); nomes populares da eletrônica (Calvin Harris, Skrillex); novidades (e nem tão novidades assim) indies (Foster the People; Cage the Elephant; Band of Horses; MGMT; Friendly Fires).

* Bjork se apresentará no Lolla-Chile. Para muitos, a islandesa é tediosa, faz música chata e pretensiosa. Por isso, ótimo que ela não venha para o Lolla-BR. Discordo. Tudo bem que sua música não é das mais fáceis, mas Bjork pelo menos olha para o futuro, tenta fazer algo novo, original. Queria muito assistir ao seu novo show.

* Preço dos ingressos: R$ 500 pelo passaporte de dois dias é caro se comparado ao que se cobra em festivais do mesmo porte em outros lugares do mundo. Algumas razões podem explicar o valor:
1) impostos (podem chegar a 30%)
2) custo de viagem de artistas internacionais (passagens aéreas, visto etc.)
3) cachê (por causa da concorrência dos festivais corporativos, que fazem leilões para trazer determinadas bandas, o Brasil é o país que paga o cachê mais alto a artistas pop, ao lado do Japão)
4) e, talvez o mais importante: meia-entrada. Já escrevi aqui sobre o assunto: a meia-entrada, na prática, não existe. Como muita gente falsifica carteirinhas, chega a 80% o número de meia-entrada em shows em SP. Como os produtores driblam isso? Aumentam o valor do ingresso. Os “estudantes” pagam mais ou menos o valor “cheio” do ingresso, e aqueles que não falsificam carteirinha acabam arcando com um valor absurdo. Claro que os produtores de shows no Brasil visam o lucro e não estão preocupados com o bem-estar social, mas todos esses fatores citados ajudam a ilustrar por que pagamos ingressos tão caros.

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