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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013 música | 14:19

A música pop em 2013: surpresas, decepções, esquecidos e duas obras-primas (e o Morrissey)

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Alex Turner (Arctic Monkeys) em show em Los Angeles - foto Getty Images

Alex Turner (Arctic Monkeys) em show em Los Angeles – foto Getty Images

Dos três discos que mais ouvi em 2013, dois são duas obras-primas. Um deles, “AM”, tem uma casca de simplicidade que se quebra quando nos damos conta da riqueza de detalhes de cada uma de suas 12 músicas. É de uma força sonora que não se impõe pela agressivdade ou rapidez, mas pela solidez das letras e apuro melódico. Parece ter sido feito por um veterano, mas é cria de uma banda que lançou o primeiro disco há apenas sete anos. “AM” tem letras que se desenvolvem com uma naturalidade absurda, como nos primeiros tempos de Arctic Monkeys (“R U Mine?”, “Why’d You Only Call Me When You’re High?); riffs poderosos (“Do I Wanna Know?”, “I Want It All”); baladas emocionantes (“Nº 1 Party Anthem”, “I Wanna Be Yours”); joias pop (“Arabella”, “Mad Sounds”, “Fireside”, “Knee Socks”) e o melhor britpop feito desde 1996 (“Snap Out of It”). Mesmo com uma estrutura convencional de baixo, guitarra e bateria e um teclado aqui e ali, o Arctic Monkeys construiu um universo próprio. Acima de todos no rock.

A outra obra-prima é “Nothing Was the Same”, terceiro do Drake. É, ao lado de “Yeezus”, o disco de rap mais ambicioso de 2013. Mas enquanto o disco do Kanye West me pareceu meio confuso e anárquico, “Nothing Was the Same” é um colosso que homenageia com classe o passado (“Pound Cake”, com participação de Jay Z, “Wu-Tang Forever”) e nos revela o futuro (“Hold On, We’re Going Home”, um r&b eletrônico diferente de tudo o que existe por aí). Drake pode não ser o melhor MC do mundo, mas é de uma versatilidade assombrosa – se dá bem tanto nos raps “puros” como “Started from the Bottom” e “The Language”, como na eletrônica (“Connect”) e nos souls (“Too Much” e “From Time”). O cara ainda se dá ao luxo de deixar uma faixa como “All Me” apenas como bonus track e de soltar “5 AM in Toronto” como single fora do álbum.

O outro disco que mais ouvi foi “Pure Heroine”, da Lorde. Essa foi a maior surpresa do ano. Porque uma cantora de apenas 17 anos, da Nova Zelândia, que não se encaixa dentro dos padrões estéticos das atuais cantoras popstars e que não tem uma voz particularmente especial conseguiu produzir não apenas um dos megahits de 2013 (“Royals”) mas também um disco cheio de maravilhas pop. Lorde nos remete a Lily Allen (na espetacular “Buzzcut Season”), Grimes (“Ribs”) e Florence Welch (“Team”, “Glory and Gore”), e consegue até superá-las.

A outra boa surpresa deste 2013 foi a dupla inglesa Disclosure. Dois moleques (19 e 22 anos) que se apoiam em um subgênero da dance music (o UK Garage) para produzir dance music global e popular. Não precisaram de grandes estruturas e investimentos para fazer um disco bem produzido, que soa quente e que ganha ainda mais corpo com a participação de vários vocalistas convidados. Foi o nome da dance music em 2013.

Uma das decepções do ano é o oposto do Disclosure. O Daft Punk gastou uma grana que não foi pouca (US$ 1 milhão) para gravar “Random Access Memories” em estúdios em Nova York, Los Angeles e Paris. A dupla queria um som que fosse o contrário do que se produz atualmente na dance music que se tornou popular nos EUA (Deadmau5, Kaskade, Afrojack, Skrillex etc.) e, assim, criar um disco com um tom “orgânico”. Os próprios daft punks disseram em entrevistas que queriam um disco que soasse como os grandes LPs de funk dos anos 1970, feitos com músicos “de verdade” e não por máquinas. O resultado é um disco careta, chato, pretensioso (a faixa “Giorgio by Moroder” beira o ridículo), que foi impulsionado por uma das estratégias de marketing mais agressivas já vistas na músicas. O Daft Punk já fez álbuns inovadores. “Random Access Memories” é convencional e antiquado.

A outra decepção do ano foi o Arcade Fire. Esperava muito de “Reflektor” depois que foi divulgado que a produção seria responsabilidade de James Murphy. Mas a parceria não funcionou. O toque disco-punk característico de JM não combinou com a grandiosidade do AF. Às vezes parece que estamos diante de um mash-up malfeito.

Este 2013 será também lembrado por vários outros bons discos, como “Matangi” (MIA), “Wondrous Bughouse” (Youth Lagoon), “Old” (Danny Brown), “The Inheritors” (James Holden), o do Jon Hopkins, das Savages, os nacionais da Gang do Eletro, Don L., Mixhell, Aldo, Vespas Mandarinas, Karol Conká. Mas dois discos MUITO BONS não podem ser esquecidos: “Move in Spectrums”, do Au Revoir Simone, e “Pale Green Ghosts”, do John Grant.
O primeiro tem uma das mais perfeitas faixas do ano (“Crazy”) e é um casamento harmonioso entre sintetizadores e vocais pop. Já “Pale Green Ghosts” é um caso sério. John Grant escreve letras desconcertantes, que vão da ironia à desesperança e à raiva. “Remember walking hand in hand side by side?/ We walked the dogs and took long strolls to the park/ Except we never had dogs/ And never went to the park”, ele canta em “You Don’t Have To”.

E também tivemos o Morrissey. Em livro, não em disco. Engraçado, irônico, às vezes melancólico, muito bem escrito, “Autobiography” pode ser lido em poucas horas (e será lançado em breve no Brasil, pela editora Globo). Só acho que deveria chamar “Memories” ou coisa parecida, já que o texto é menos uma autobiografia que se atém a fatos e mais uma coleção de pensamentos e lembranças. Os momentos mais engraçados são quando Morrissey ataca nomes como Tony Wilson e, principalmente, Geoff Travis, o dono da gravadora Rough Trade.  Morrissey poderia apenas dedicar um pouco mais de páginas aos Smiths e menos a desancar Mike Joyce e Andy Rourke. Sabíamos que Morrissey tinha a manha para compor, agora sabemos que ele tem talento também como escritor.

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quarta-feira, 13 de novembro de 2013 música | 12:48

Lorde – ainda mais dramática

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A Lorde não para.

Que essa neozelandesa de 17 anos coloca uma carga dramática em suas músicas não é novidade – o disco é assim, os shows e aparições em sessões de rádio e TV que estão disponíveis no YouTube nos mostram isso.

Mas a apresentação de Lorde no Dadid Letterman foi além. Os trejeitos, a voz carregada, a teatralidade – parecia até um show de Florence and the Machine. Não que tenha sido ruim.

Abaixo, “Team”, cantada por Lorde no programa do Letterman. Em seguida, a sessão que a cantora fez pro “Live on Letterman”, que sai apenas na internet.

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terça-feira, 12 de novembro de 2013 música | 18:31

Lorde em cover de “Everybody Wants to Rule the World”

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A Lorde não para.

Depois de lançar o ótimo disco “Pure Heroine”, de ter sua “Royals” remixada e remixada, de ser escalada para o Lollapalooza Brasil 2014, a neo-zelandesa de 17 anos solta cover de “Everybody Wants to Rule the World”, clássica faixa do Tears for Fears.

A versão é um dos (talvez o?) principais destaques da trilha de “Jogos Vorazes – Em Chamas”, que estreia nesta sexta-feira no Brasil. Lorde colocou uma carga meio soturna e dramática no lugar da grandiosidade melódica original do Tears for Fears.

Além do cover da Lorde, a trilha tem Of Monters and Men, Santigold, National, Weeknd, Coldplay e vários outros.

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quarta-feira, 6 de novembro de 2013 música | 13:58

Uma das músicas do ano, “Royals” ganha remix do grande Raekwon

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Nem é a que eu mais gosto do disco da Lorde, mas, opiniões à parte, “Royals” é A música do ano (ou será “Get Lucky”? Ou “Crazy”? Ou “Do I Wanna Know”?).

Faixa esperta que é ao mesmo tempo crítica e irônica, de gosto agridoce e melodia redonda, “Royals” já ganhou inúmeros covers e remixes. O mais recente, e um dos mais inusitados, é do grande Raekwon, um dos integrantes do Wu-Tang Clan.

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quinta-feira, 24 de outubro de 2013 música | 16:30

O fenômeno “Royals” e o rapper que não entendeu nada

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Selena Gomez, Mayer Hawthorne, The Weeknd e Pentatonix (entre os vários que pintaram por aí), por exemplo, já fizeram covers de “Royals”, a música da neozelandesa Lorde que foi lançada em março mas que está estouradaça no mundo todo (neste outubro chegou ao primeiro lugar da parada de singles dos EUA). E ganhou até um mashup com “Paper Planes”, da MIA.

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Mas o mais inusitado disso tudo que vem acontecendo com “Royals” foi a versão que acaba de ser feita pelo Rick Ross, rapper norte-americano chegado do Jay Z (ele estava no show que vi em Miami do Jay Z com o Justin Timberlake, por exemplo).

A história que está rolando é a de que Ross ouviu “Royals” e curtiu a música principalmente porque há uma referência na letra à luxuosa marca de carro Maybach. Rick Ross é um dos rappers que mais faz letras sobre o lifestyle movido a carrões, mulheres, grana, champanhe etc. (o nome do selo criado por ele é Maybach).

Pois Rick Rosse fez uma espécie de remix de “Royals” em que colocou versos como “Silver Rolls Royce cigarette smokes in it/New fur rug now my dirty boots in ‘em/Flowin’ in the pocket like enrollin’ in a college/Mean as a dean, triple beam well polished/She wanna watch Scandal, I wanna count a handful/Dead presidents sleep in the attic of the mansion”.

A questão é que “Royals” é uma música que faz uma crítica a esse lifestyle celebrado por Rick Ross. “And we’ll never be royals/ It don’t run in our blood/ that kind of luxe just ain’t for us/ we crave a different kind of buzz”, diz o refrão. Um pouco antes: “But every song’s like gold teeth, Grey Goose, trippin’ in the bathroom/Blood stains, ball gowns, trashin’ the hotel room/We don’t care, we’re driving Cadillacs in our dreams/ But everybody’s like Cristal, Maybach, diamonds on your timepiece/Jet planes, islands, tigers on a gold leash”.

Rick Ross, parece, não entendeu nada. Ou não.

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