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Posts com a Tag música

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014 cultura | 13:34

Documentário “O Que É Nosso” faz mais pela cultura de São Paulo do que qualquer iniciativa do poder público

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Saiu há pouco o documentário “O Que É Nosso – Reclaiming the Jungle”, dirigido por Jerry Clode, Murilo Yamanaka and Allyson Alapont. Em pouco mais de 60 minutos, o filme registra como várias festas de rua gratuitas estão ajudando a mudar o cenário melancólico e monocromático da região central de São Paulo.

As festas de rua não são algo novo em São Paulo. Em bairros (principalmente) das zonas sul e leste há eventos abertos de rap, funk, eletrônica há anos. Mas dois fatores ajudam a entender por que essa movimentação de agora é algo relevante.

Primeiro porque fazem com que o centro da cidade ganhe vida noturna e nos finais de semana e sem qualquer tipo de segregação. Moradores de rua, integrantes de movimentos sociais, comerciantes, garçons, enfim, todo tipo de gente se mistura a jovens de classe média que querem se divertir ao ar livre, e não dentro de um clube.

E segundo porque é uma alternativa acessível à caríssima noite paulistana. Frequentar clubes em São Paulo tornou-se algo impossível para quem não pode/não quer gastar menos do que R$ 100 ou quantia parecida em uma noite. Daria para comparar as festas de rua com a comida de rua, mas nessa comparação as festas de rua saem ganhando bem, já que a comida de rua paulistana renasce com uma certa “gourmetização” que a deixa quase tão cara e inacessível como os cardápios dos restaurantes.

Sem restrições estéticas, políticas, econômicas ou sociais, festas como Voodoo Hop, Capslock, Metanol, Free Beats, Selvagem e outras fazem mais pela cultura de São Paulo do que qualquer iniciativa do poder público.

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quarta-feira, 25 de maio de 2011 música | 15:44

O arrastão de Lady Gaga

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Não é novidade que Lady Gaga tornou-se a maior artista pop do mundo. O que chama a atenção é como o fenômeno Gaga cresce tanto mesmo em um mundo tomado por crises e pirataria.

Lady Gaga no Radio 1 Big Weekend, na Inglaterra - Getty Images

“Born This Way”, o segundo disco de Gaga, lançado na segunda-feira (23 de maio), vendeu, APENAS NAS LOJAS ONLINE DA APPLE E DA AMAZON, entre 250 mil e 350 mil cópias. E APENAS NAS PRIMEIRAS 24 HORAS.

Deve-se levar em conta que essas vendas foram ajudadas pela decisão da Amazon de comercializar o disco por apenas US$ 0,99 (preço normalmente cobrado por apenas uma faixa). A versão “luxo” de “Born This Way”, com 22 canções em vez das 14 do álbum “normal”, custa US$ 12,99 na Amazon e US$ 15,99 na Apple. (Sobre as vendas, ainda não há números quanto ao formato físico do disco.)

Até agora, o disco campeão de vendas de 2011 é “21”, de Adele, lançado em janeiro e já comprado por 4,6 milhões de pessoas. Será que “Born This Way” ultrapassará “21”? Provavelmente, em poucas semanas. Dentro da Universal, a gravadora de Gaga, estima-se que o álbum venda 850 mil cópias na primeira semana.

Lady Gaga é um fenômeno cultural e mercadológico, demonstrado por dados e números.

Foi a artista que mais ganhou dinheiro em 2010:  US$ 30,5 milhões

Com a Monster Ball Tour, encerrada no início de maio, arrecadou US$ 227 milhões e foi assistida por 2,5 milhões de pessoas; é a maior turnê de estreia da história

“Born This Way” já foi baixada 2,6 milhões de vezes (contando somente downloads legais)

“Born This Way” é a música a chegar mais rapidamente ao topo da parada do iTunes (menos de 3 horas)

Foi a primeira artista, em outubro de 2011, a ultrapassar a marca de 1 bilhão de visualizações no YouTube

É recordista de seguidores no Twitter, com 10 milhões

É a celebridade mais poderosa do mundo, segundo a “Forbes”

É tema de um curso na Universidade da Carolina do Sul intitulado “Lady Gaga e a Sociologia da Fama”

Com o lançamento de “Born This Way”, Lady Gaga faz um arrastão no noticiário pop. Só dá ela. De entrevista no “New York Times” à capa da “Rolling Stone” dos EUA.

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terça-feira, 10 de maio de 2011 música | 09:18

Tyler, a voz de 2011

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“Ei, não faça nada do que eu digo nesta música, ok?”.

É o primeiro verso de “Radicals”.

A faixa segue, com um sem número de “fucks” direcionados a gays, a policiais, a escolas, a religiões, aos padrões de costume.

“Radicals” é uma pedrada niilista que resume o espírito de “Goblin”, o segundo disco de Tyler, the Creator, norte-americano de 20 anos que odeia tudo e todos, mas que deve ser (já é) uma das vozes mais ouvidas dentro da música produzida atualmente.

Tyler possui uma série de características que o colocam como um dos artistas mais irresistivelmente interessantes do mundo. Faz música complexa (letras que vão do agressivo ao paranoico; sarcásticas, violentas, delirantes), de temática abrangente (rap que se aproxima do rock, com referências a skate, TV, cinema) e, não menos importante, ele sabe usar a internet como uma metralhadora de divulgação.

Líder do coletivo de hip hop Odd Future, Tyler pilota um site decente e informativo, desenha camisetas e a capa de seus discos, comanda um Twitter em que dispara mais “fuck” por minuto do que Christian Bale em um dia ruim e dirige vídeos que ganham mais de oito milhões de visualizações no YouTube (abaixo, ele explica, em entrevista em inglês, como fez o clipe de “Yonkers” e fala das letras que brincam com contradições).

Nas 15 músicas de “Goblin”, que acaba de ser lançado, há citações a morte, suicídio, estupro, violência (Por isso há quem coloque Tyler dentro do horrorcore, sub-gênero do rap que tem gente como Necro, Insane Clown Posse, Geto Boys). Mas são temas tratados de maneira surrealística e irônica. E Tyler tem um talento tremendo, cria as letras com uma métrica irrepreensível, com versos que costuram rimas fluidas e desconcertantes.

As bases das músicas são secas, até simplórias. Não há muitos recursos eletrônicos. Tyler coloca sua voz em primeiro plano e é ela que dita o ritmo.


(“Tron Cat”)

“She”, “Fish” e “Analog” são as exceções, faixas que trocam os ruídos nervosos por melodias que lembram o r&b.


(“She”)

Ao vivo, as músicas ganham peso, com energia punk. Como “Sandwitches”, tocada pelo Odd Future no festival Coachella em abril.

Paranoica, verborrágica, sarcástica, niilista. É voz de Tyler, the Creator, é a voz de 2011.

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terça-feira, 26 de abril de 2011 música | 10:01

Bem-vindo, Foster the People

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Blog novo, banda nova.

Há pouco aconteceu o gigantesco Coachella, festival que reuniu Kanye West, Arcade Fire, Strokes, Lightning Bolt, Odd Future, PJ Harvey, Duran Duran e mais um monte de gente. O Lúcio Ribeiro foi e fez uma cobertura bem ampla.

A intrépida Natasha Madov, editora de Ciência do iG, também esteve lá. E voltou falando apenas no Foster the People.

Foster quem?

Foster the People. Banda nova, formada no final de 2009, que lançou apenas um EP de três músicas. Três músicas. Não importa, porque, segundo a Natasha, quando eles tocaram no Coachella, no domingo (17 de abril), a tenda ficou insuportavelmente cheia de molecada.

Lotação que se explica um pouco por eles estarem em casa, na Califórnia, e um pouco por “Pumped Up Kicks”, para mim a mais jovial, alegre e contagiante música que ouço em um bom tempo.

“Pumped Up Kids” lembra ao mesmo tempo várias coisas, e talvez aí esteja o segredo. É Phoenix, Peter, Bjorn and John, Beach Boys e MGMT. Lembra o MGMT de “Kids” e de “Time to Pretend”? O MGMT sem vergonha de ser pop? Então.

***

Foster the People são três: Mark Foster (vocal, sintetizador, teclado), Cubbie Fink (baixo) e Mark Pontius (bateria). Ao vivo, chamam mais dois músicos para ajudá-los no palco.

O “Foster the People” EP saiu no começo do ano. Já o disco, “Torches”, será conhecido em menos de um mês (24 de maio).

Além do Coachella, eles tocaram no South by Southwest e estarão no inglês Glastonbury. E o ótimo Cut Copy (que vem ao Brasil no início de junho) está remixando uma de suas músicas.

As três faixas do trio já foram tocadas por muita gente boa (Annie Mac, Rob da Bank, Annie Nightingale, Zane Lowe) da Radio 1, a mais completa emissora de rádio do mundo. “Pumped Up Kicks” é uma das mais executadas na californiana KROQ.

A melodia de “Pumped Up Kicks” é tão jovial, alegre e cativante que até desvia a atenção da letra séria, sobre um garoto que pega um revólver do pai e vai à escola. “Para mim, isso não tem a ver com violência, mas sim com a falta de família, de amor e isolamento”, disse Foster, sobre a letra, em entrevista à KROQ.

Sobre influências e inspirações, Mark Foster disse que é fã de Aphex Twin e Motown. Ou seja, ele conhece o caminho.

Abaixo, o clipe de “Pumped Up Kicks”.

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