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Posts com a Tag odd future

quarta-feira, 4 de julho de 2012 música | 07:32

Cantor Frank Ocean admite ter tido relação homossexual

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Um dos mais talentosos integrantes do coletivo de rap Odd Future, o cantor Frank Ocean divulgou uma carta pelo Tumblr na qual afirma ter tido uma relação homossexual.

Isso não é pouca coisa, já que 1) o universo do rap, principalmente nos Estados Unidos, é desde sempre majoritariamente machista (para não dizer homofóbico); 2) os próprios integrantes do Odd Future (atração do SWU no ano passado), como Tyler, the Creator, já foram acusados de serem homofóbicos (a dupla Tegan and Sara chegou a acusar Tyler de escrever letras “anti-gays”, e afirmou que ele “não tem como defender o que faz”).

Bem, voltando a Frank Ocean, na carta ele escreve (em tradução livre):

“Quatro verões passados, eu encontrei alguém. Eu tinha 19 anos. Ele também. Nós passamos aquele verão, e o verão seguinte, juntos. Quase todos os dias. (…) Eu costumava dividir a cama com ele. Quando me dei conta que estava apaixonado, aquilo foi nocivo, não havia esperança. (…) Eu contei ao meu amigo como me sentia. Chorava enquanto as palavras saíam de minha boca. (…) Ele tentou, mas não conseguia admitir o mesmo. Ele tinha que se esconder novamente. Era tarde e sua namorada o estava esperando. Ele não falaria a verdade sobre seus sentimentos para mim durante três anos…”.

No corajoso texto, Frank Ocean ainda agradece o apoio recebido de família e amigos. A carta pode ser lida aqui (em inglês).

Pelo Twitter, Earl Sweatshirt, do Odd Future, disse estar “orgulhoso” de Frank. Tyler, the Creator escreveu: “Meu grande irmão finalmente fez isso. Estou orgulhoso desse cara”.

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sexta-feira, 13 de abril de 2012 música | 13:27

Soul music do nosso tempo

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Enquanto alguns reproduzem fielmente a soul music de tempos passados, como se estivéssemos em 1972, tem gente que tenta trazer o gênero para a nossa época. É o caso do norte-americano Frank Ocean e do inglês Kwes.

Frank Ocean

O primeiro é da turma do Odd Future, coletivo baseado em Los Angeles, liderado por Tyler, the Creator, que faz rap agressivo, quase punk. Frank Ocean não dispara rimas, ele canta – e muito. Tanto que foi convidado por Jay-Z e Kanye West para participar de “Watch the Throne”.

Ocean participou do disco do Tyler, the Creator, de mixtape do Odd Future, lançou a sua própria mixtape, “Nostalgia, Ultra”, em 2011, e vem soltando faixas aos poucos. A última delas é “Math”, na qual sua voz  aveludada é emoldurada por beats quebrados.

Kwes é inglês e integrante da Warp, gravadora que desde o início dos anos 1990, com Aphex Twin e Autechre, procura dar espaço para a música que 0lha para o futuro.

Ele começou a aparecer no final do ano passado, com a boa “Get Up”. A música foi grande responsável por levá-lo até o gigantesco festival Coachella, que acontece neste (e no próximo) final de semana nos EUA (o primeiro show de Kwes foi em novembro de 2011).

Kwes reaparece com “Igoyh”, uma das quatro faixas que estarão no EP “Meantime”, que a Warp lança em 30 de abril.

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011 música | 15:52

Odd Future, Modest Mouse e… Ash!

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E os polêmicos e incansáveis Odd Future estarão em Paulínia (interior de SP) em 12 de novembro, para show no SWU. Não apenas Tyler the Creator, mas TODOS ELES desembarcam no Brasil – foi o que me disse a organização do festival.

Coletivo de rap formado na Califórnia, o Odd Future (OFWGKTA) é formado por Tyler the Creator, Mellowhype, pela DJ Syd the Kyd, Frank Ocean, Mike G, Hodgy Beats entre outros, incluindo aí o misterioso Earl Sweatshirt, que ninguém (aparentemente) sabe onde está.

Bem, o Odd Future estará no palco New Stage do SWU, junto a bandas como Modest Mouse, Ash, Is Tropical, Bag Raiders e os curitibanos Copacabana Club.

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O Modest Mouse valeria mesmo se fosse apenas para vê-los tocar “Float On”, faixa absurdamente pra cima que nos diz: “Alright don’t worry even if things end up a bit to heavy/ We’ll all float on alright/ Already we’ll all float on”.

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Mas o SWU traz também o Ash. Banda que ninguém está dando muita bola (bem, ninguém dava muita bola nem quando eles eram realmente ativos e lançavam álbuns bem decentes, no final dos anos 1990, começo dos anos 2000). Mas a nostalgia bateu, e fiquei bem empolgado com a vinda deles.

Uma das razões que me fazem gostar do Ash é que eles nunca fizeram parte de nenhum “movimento”. Apareceram no auge do britpop, mas não são associados ao britpop. Depois lançaram um ótimo disco em 2001, mas era época de Strokes e cia., e o Ash foi novamente deixado de lado.

Esse alijamento rolou não porque essa banda da Irlanda do Norte seja singular – ao contrário. É música rápida, algumas baladas, mas sempre com guitarras e vocais bem pop.

Com essa fórmula eles produziram “Girl from Mars”, semi-hit dos anos 1990, e o disco “Free All Angels”, de 2001. No meio disso, a irresistível “A Life Less Ordinary”, que esteve na trilha do filme de mesmo nome (“Por Uma Vida Menos Ordinária” – vale ver).

Nos últimos anos o Ash lançou discos, vem fazendo shows em festivais, mas não me lembro de ter ouvido nada tão recomendável. Em 2006, os três integrantes fundadores da banda mandaram embora a (excelente) guitarrista Charlotte Hatherley, que havia entrado no grupo em 1997. Charlotte fazia muito bem à banda.

Em 2010 o Ash passou a tocar com Russell Lissack, que era guitarrista do Bloc Party. Em outubro, Charlotte participará de alguns shows do Ash no Reino Unido para tocar músicas de “Free All Angels” – mas ela não vem ao Brasil.

Abaixo, dois ótimos momentos da banda. A linda “Shining Light” no T in the Park de 2001.

E “A Life Less Ordinary” em Magdeburg, na Alemanha, em 2004.

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quarta-feira, 13 de julho de 2011 música | 17:48

Oito motivos para acreditar no hype

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O Horrors acaba de lançar seu terceiro disco, “Skying”. Está sendo bastante elogiado, o que não deixa de ser uma surpresa: os outros dois álbuns são igualmente recomendáveis, mesmo não tendo recebido a atenção devida.

Faris Badwan em show do Horrors - Getty Images

O que diferencia a aceitação de “Skying” para os anteriores é que, agora, o Horros é um nome relativamente estabelecida. Estão na estrada há seis ou sete anos; têm dois discos nas costas; seu vocalista já se arriscou em um “projeto paralelo ambicioso” (Cat’s Eyes, dupla que Faris Badwan, o vocalista, formou com a soprano Rachel Zeffira). Assim, o Horrors não é mais apenas “hype” – hoje, é seguro gostar, falar bem desse banda.

A ideia de “hype” não é nova, mas passou a ser discutida, “teorizada” e cornetada a partir do final dos anos 1990. Com internet/MP3/Napster/Audiogalaxy/torrents, um disco que demorava meses para ser ouvido/analisado tornava-se conhecido antes mesmo de ser lançado. Ganhava elogiosos comentários em sites, blogs, jornais. Mas… como alguém se atreve a falar bem de um grupo ou cantor que ainda não lançou nem um mísero EP?

Aí o “hype” tornou-se uma palavra maldita que alimentou boa parte da opnião crítica. A expressão passou a ser usada para classificar bandas “descartáveis”, que “não vão durar dois ou três discos”, que “copiam X ou Y”. É uma posição crítica conservadora, preguiçosa – e que não está presente apenas na música, como bem apontou o crítico literário Antonio Cândido, 93 anos, em sua palestra na Flip. Para Cândido, a “crítica literária brasileira não corre riscos, só analisa autores consagrados”.

É mais fácil analisar consagrados. Já foram testados pelo tempo, têm reputação conhecida. Com o novo, a chance de “erro” (descobrir-se uma voz dissonante; elogiar algo que, depois, não se estabelecerá; dar uma paulada em algo que, depois, será reverenciado) é muito maior.

Chega de balela. De volta à música pop. Abaixo, oito exemplos de nomes que foram hypados logo que apareceram. Com justiça?

Strokes
Os pais do hype moderno. Em 2000/2001, foram encampados pelo semanário “NME”, e ser encampado pelo “NME” não pega bem em alguns setores. A banda, diziam, era apenas uma cópia de Television e Velvet Underground. Será que “Is This It” era apenas “hype”?

Libertines
Seus dois únicos discos e os shows imprevisíveis são testemunhos deliciosos de um tipo de rock rápido, ingênuo, desconcertante, inquieto. Mas, para muitos, os escândalos envolvendo Pete Doherty diminuíam a banda.

Arctic Monkeys
Traziam uma linguagem fresca ao rock, com melodias quebradas, letras que traduziam perfeitamente o sentimento da molecada em “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”. Nada disso importava – eram apenas crias do “NME”.

CSS
Antes de lançar disco de estreia, já estampavam capas de jornais, revistas. Seus integrantes não sabiam tocar instrumentos. Os shows eram caóticos. Como falar bem dessa banda, questionava-se?

Oasis
A música? Cópia dos Beatles. As brigas dos irmãos Gallagher? Marketing. Muitos que tinham essas opiniões em 1995 consideram “Definitely Maybe” e “Morning Glory”, hoje, como excelentes. Mas eles já eram excelentes em 1995.

Odd Future
O nome do momento do rap. Tanto por suas letras agressivas como por seus shows furiosos e pelo comportamento errático de seu líder, Tyler, The Creator. Mas não se engane: a música é de primeira.

Joy Division
Foi capa do “NME” em janeiro de 1979 – cinco meses antes de lançar o primeiro disco.

Horrors
Com “Strange House”, de 2007, foram rotulados de “new grave” (rock melancólico, desesperado). Foi o suficiente para a banda ser tachada de cópia de Cure, Siouxsie etc. Mas estão ali joias soturnas como “Sheena Is a Parasite” e “Count in Fives”. “Skying” é tão bom quanto, ou ainda melhor. Abaixo, o primeiro single, “Still Life”. Aqui, dá para ouvir o disco inteiro.

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terça-feira, 10 de maio de 2011 música | 09:18

Tyler, a voz de 2011

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“Ei, não faça nada do que eu digo nesta música, ok?”.

É o primeiro verso de “Radicals”.

A faixa segue, com um sem número de “fucks” direcionados a gays, a policiais, a escolas, a religiões, aos padrões de costume.

“Radicals” é uma pedrada niilista que resume o espírito de “Goblin”, o segundo disco de Tyler, the Creator, norte-americano de 20 anos que odeia tudo e todos, mas que deve ser (já é) uma das vozes mais ouvidas dentro da música produzida atualmente.

Tyler possui uma série de características que o colocam como um dos artistas mais irresistivelmente interessantes do mundo. Faz música complexa (letras que vão do agressivo ao paranoico; sarcásticas, violentas, delirantes), de temática abrangente (rap que se aproxima do rock, com referências a skate, TV, cinema) e, não menos importante, ele sabe usar a internet como uma metralhadora de divulgação.

Líder do coletivo de hip hop Odd Future, Tyler pilota um site decente e informativo, desenha camisetas e a capa de seus discos, comanda um Twitter em que dispara mais “fuck” por minuto do que Christian Bale em um dia ruim e dirige vídeos que ganham mais de oito milhões de visualizações no YouTube (abaixo, ele explica, em entrevista em inglês, como fez o clipe de “Yonkers” e fala das letras que brincam com contradições).

Nas 15 músicas de “Goblin”, que acaba de ser lançado, há citações a morte, suicídio, estupro, violência (Por isso há quem coloque Tyler dentro do horrorcore, sub-gênero do rap que tem gente como Necro, Insane Clown Posse, Geto Boys). Mas são temas tratados de maneira surrealística e irônica. E Tyler tem um talento tremendo, cria as letras com uma métrica irrepreensível, com versos que costuram rimas fluidas e desconcertantes.

As bases das músicas são secas, até simplórias. Não há muitos recursos eletrônicos. Tyler coloca sua voz em primeiro plano e é ela que dita o ritmo.


(“Tron Cat”)

“She”, “Fish” e “Analog” são as exceções, faixas que trocam os ruídos nervosos por melodias que lembram o r&b.


(“She”)

Ao vivo, as músicas ganham peso, com energia punk. Como “Sandwitches”, tocada pelo Odd Future no festival Coachella em abril.

Paranoica, verborrágica, sarcástica, niilista. É voz de Tyler, the Creator, é a voz de 2011.

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sexta-feira, 29 de abril de 2011 música | 19:34

Rap é o berço atual da música pop

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Odd Future, Das Racist, Wiz Khalifa nos EUA; Rincon Sapiência, Emicida, Criolo, Slim Rimografia, Lurdez da Luz no Brasil.

Não é à toa que o rap está ocupando bom espaço no noticiário pop. É do gênero que está saindo não apenas boa música, mas gente provocadora, que foge do padrão, que tem coisas interessantes pra falar.

A música pop é uma indústria. Empresários de shows; organizadores de festivais; agências de artistas; jornais, revistas, sites, TV, rádio, YouTube. Essa cadeia precisa ser alimentada. Quem faz isso? É preciso surgir nomes constantemente para que as engrenagens continuem trabalhando.

O rock ficou com a missão no final dos anos 1980 (grunge), no meio dos 1990 (britpop), no início dos 2000 (novo rock).

A eletrônica entrou no final dos 1990, com Chemical Brothers, Prodigy, Underworld e outros extrapolando os limites das pistas de dança.

O rap historicamente (e infelizmente) sempre foi colocado meio à margem dessa indústria – por preconceito, ignorância. Nunca foi fácil vender shows do gênero para patrocinadores, ou emplacar reportagens em grandes veículos – fazer a mesma tarefa com gente nova do rock e da eletrônica era bem mais tranquilo.

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Hoje, me parece, é no rap onde estão aparecendo nomes capazes de alimentar essa indústria. Como o Odd Future.

O coletivo (o nome é Odd Future Wolf Gang Kill Them All) tem oito, nove caras, todos com pouco mais de 20 anos, se tanto.

Seus shows são o que se espera de shows de rock: imprevisíveis, anárquicos, potentes. O líder do Odd Future, Tyler the Creator, é o que se espera de um líder de uma banda de rock: inteligente, desafiador, não-domesticado por assessores e executivos.

Em uma entrevista, perguntaram a Tyler: qual seu objetivo? “Ser melhor do que todo mundo. Porque eu odeio todo mundo e eu quero ser melhor do que todo mundo e eu quero que todos saibam disso”. Não faz média, é ambicioso, sabe onde quer chegar.

Entende-se por que uma publicação como o semanário “NME” (que sempre se dedicou às guitarras, preferencialmente de jovens brancos), tenha Tyler estampado em sua atual capa. Ou por que Pharrell Williams (Neptunes, NERD) paga pau para eles. Ou por que a MTV está tão animada com os caras.

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No Brasil, a situação é parecida. Já ouviu o disco novo do Criolo (ex-Criolo Doido)? Para entender o mundo do Criolo, que une rap, samba e até bolero, esta entrevista feita pelo Pedro Alexandre é uma porta de entrada.

E uma das faixas mais legais feitas neste país é esta que você ouve/vê abaixo.

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