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quinta-feira, 29 de novembro de 2012 música | 10:33

Pulp: passado e presente

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Jarvis Cocker em SP - Foto: Ulisses Barbosa

Sob o comando do Pulp, passado e presente foram embaralhados por pouco mais de duas horas no Via Funchal. Porque músicas que marcaram tão fortemente uma época mostraram-se incrivelmente atuais e relevantes na noite de quinta.

Boa parte dessa sensação é alimentada pela nossa memória afetiva, pelo fato de ser a primeira vez que ouvimos ao vivo faixas como “Babies” e “Like a Friend”. Mas é culpa também de Jarvis Cocker, que despeja energia, humor e sensiblidade em cada frase que sai de sua voz.

Jarvis Cocker é um dos caras mais impressionantes que já vi em cima de um palco.

Simpático, lê palavras e frases em português, dança como poucos, a voz ainda conservada, ainda diverte-se com músicas que canta há quase 20 anos e se entrega em um show mesmo com casa vazia (não devia ter mais do que 3 mil pessoas no Via Funchal). Cool até não poder mais.

Jarvis Cocker em SP - Foto: Ulisses Barbosa

O show foi irrepreensível desde o início, com a agridoce “Do You Remember the First Time?”. Depois “Pink Glove”.

E depois Jarvis comandou uma pista – real e na nossa memória. Cheia de gás, “Disco 2000” provou ser muito mais um hino atemporal ao hedonismo do que uma lembrança presa aos anos 1990. Em seguida vem “Sorted for E’s & Wizz”, provavelmente a melhor música já feita sobre a experiência de ir a uma rave. E o Pulp inicia colocando o público no clima: com uma indefectível sirene, luzes psicodélicas, batidas sintéticas. “Is this the way they say the future’s meant to feel?”. Lindo.

O Pulp pode ter nascido no final dos anos 1970, mas ganhou o mundo nos 1990, com “His ‘n’ Hers” (1994) e “Different Class” (1995) – não à toa são os discos mais presentes no show. Depois aparecem “This Is Hardcore” (1998) e “We Love Life” (2001) – deste último, “Sunrise” ainda emociona.

Quando Jarvis começa a cantar “Bar Italia”, nos transporta para uma pequena viagem pelo Soho londrino.

Jarvis Cocker em SP - Foto: Ulisses Barbosa

Talvez o principal exemplo de como Jarvis Cocker é um grande cronista de relacionamentos, “Common People” é ainda mais forte ao vivo. É o momento do show, nada pode vir depois dela, por isso o Pulp sai do palco.

Voltam para o bis, e soltam “Razzmatazz” e a “Mis-Shapes” (“Brothers, sisters, can’t you see?/ The future’s owned by you and me”). Saem do palco, retornam para mais uma. “Something Changed” (“Stop asking questions that don’t matter anyway/ Just give us a kiss to celebrate here today”). Um final apropriado para uma noite inesquecível.

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