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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 música | 12:01

Radiohead: show com 2 músicas novas e 1 lado-B inédito ao vivo

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Setlist com 24 músicas. Duas novas. Duas semi-novas. Um lado-B de 1998 que  nunca tinha sido tocado ao vivo. Quase todas as faixas do “King of Limbs”. Assim foi o show do Radiohead em Miami, nesta segunda (dia 27), que inaugurou a extensa turnê mundial da banda.

O braço americano/mexicano da tour alcança até o início de junho, no festival Bonnaroo. Depois, o grupo vai a Europa (junho/julho), Ásia (julho) e Austrália-Nova Zelândia (novembro).

Os shows nos EUA têm abertura do Other Lives. Na Europa, do Caribou.

O Radiohead não é banda que se prende a um setlist durante os shows de uma mesma turnê. Portanto, canções devem entrar e sair de um show para outro. Mas essa apresentação de Miami (e as duas músicas novas) é  mais um indício do que podemos esperar do Radiohead: menos “canções”, mais experimentações sonoras. Hoje o guitarrista Jonny Greenwood é tão guitarrista quanto programador eletrônico.

Em Miami, das oito músicas de “King of Limbs”, o mais recente disco, apenas “Little by Little” ficou de fora. “The Daily Mail” e “Staircase”, lançadas no ano passado, entraram. Uma das surpresas foi “Meeting in the Aisle”, lado-B do “Ok Computer” que nunca tinha sido tocada ao vivo.

Abaixo, as novas “Cut a Hole” e “Identikit”.

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quarta-feira, 27 de abril de 2011 música | 13:38

O brega e o pop

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“Minha veia sempre foi romântica mesmo.”

“Pô, cresci ouvindo e vendo Jovem Guarda, sou tiete dele [de Roberto Carlos].”

“O sertanejo não é popular? É música popular brasileira, porra.”

“Oh, que chique [imposta a voz], já tenho um lugar na música popular brasileira?”

“Nossa, estou tão preocupado, nem vou dormir esta noite [sobre o preconceito da imprensa musical ao seu trabalho]”

“Não vou dormir esta noite de preocupação com os críticos que acham que eu sou brega…”

***

Como é bom ler uma entrevista de alguém que não está nem aí para convenções, que não dá bola para o senso comum, que não está amarrado por um roteiro e por uma agenda construídos por assessores.

Essa é a impressão que temos de Fábio Jr. após sua conversa com Pedro Alexandre Sanches, publicada nesta quarta-feira (27 de abril) no iG.

Fábio Jr. já foi tudo e já tem tudo na vida. Casou com Glória Pires, foi galã de novela da Globo,  é cantor popularíssmo e tem filhos muito bem-sucedidos. No Brasil,  muitos artistas que não têm metade desse currículo arrotam prepotência e deslumbre. Não Fábio Jr.

Ainda da entrevista ao Pedro Alexandre, um trecho que ilustra o que quero dizer:

“Uma vez estava fazendo uma novela, a gente desceu para almoçar e vieram umas meninas conversar. Parei de comer, óbvio, para tirar uma foto, dar um autógrafo. Não sei quem do elenco falou: “Como você permite que interrompam o seu almoço?”. Falei: “Escuta, meu filho, se não fossem elas eu não estava aqui. [Enfatiza] Nem você”. Se num dia você acordou meio virado, rodou a lâmpada, não sai de casa, meu filho. Ou muda de ramo. Estou aqui e vou reclamar porque uma fã quer tirar uma foto? [Imposta a voz] “Oh, interrompeu a minha refeição”, ah, pô, vai roubar para ser preso.”

Não conheço muitos atores ou músicos que teriam esse tipo de atitude.

***

Fábio Jr. não tem problema em se assumir como brega ou romântico. Na música pop, isso é comum? Será que acharíamos esse trecho brega se fosse cantado em português:

“Let me give my love to you/ Let me take your hand”.

É de uma música do Death Cab for Cutie (“Meet Me on the Equinox”).

Outros exemplos:

“Her hair reminds me of a warm safe place/ Where as a child I’d hide” – Guns, “Sweet Child of Mine”

“Fell in love with a girl/ fell in love once and almost completely/ she’s in love with the world/ but sometimes these feelings/ can be so misleading” – White Stripes, “Fell in Love with a Girl”

“If you’d accept surrender/ I’ll give up some more/ Weren’t you adored / I cannot be without you, matter of fact/ I’m on your back, I’m on your back, I’m on your back / If you walk out on me, I’m walking after you – Foo Fighters, “Walking After You”

“Never opened myself this way/ Life is ours, we live it our way/ All these words I don’t just say/ And nothing else matters” – Metallica, “Nothing Else Matters”

“I don’t want to be your friend/ I just want to be your lover/ No matter how it ends/ No matter how it starts” – Radiohead, “House of Cards”

Nem vou colocar Coldplay. Seria covardia.

***

Para encerrar: se achamos que na música de hoje tem muita picaretagem,  Fábio Jr. nos revela que lá atrás as coisas não eram muito mais transparentes. No início de carreira, ele cantava sob o pseudônimo Mark Davis, para fingir que era americano. Ele conta como compunha as músicas:

“Era com dicionário na mão, ‘together’?, opa, rima com ‘forever’. A gente fazia show, saía todo mundo de óculos escuros, dizendo só ‘hi’ para neguinho achar que éramos americanos mesmo”.

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