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terça-feira, 9 de setembro de 2014 música | 17:58

U2 só tem a ganhar com a parceria com a Apple

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Bono em show do U2 na Espanha em 2010 - Jasper Juinen/Getty Images

Bono em show do U2 na Espanha em 2010 – Jasper Juinen/Getty Images

O U2 e a Apple inovaram neste 9 de setembro de 2014. A banda irlandesa usou o evento da empresa norte-americana para anunciar não apenas o 13º disco da carreira, “The Songs of Innocence”, mas também para informar que o disco será distribuido GRATUITAMENTE para todos os usuários do iTunes.

Todos os usuários do iTunes = 500 milhões de pessoas, em 119 países.

Como foi distribuído gratuitamente, não dá para dizer que “The Songs of Innocence” é o disco mais “vendido” da história. Mas dá para dizer que “The Songs of Innocence” é o único disco que tem 500 milhões de “donos” – e isso no primeiro dia do lançamento (claro, descontando que o iTunes não saia do ar etc.).

Para ter ideia do tamanho disso: em toda a história, o U2 vendeu cerca de 150 milhões de discos (de todos os 12 discos que a banda já lançou).

A banda não está jogando dinheiro fora com essa estratégia. Há alguns anos, no programa de TV “The Colbert Report”, o Radiohead foi questionado por Stephen Colbert se eles ganharam mais dinheiro com a estratégia de “pague quanto quiser” durante o lançamento do disco “In Rainbows”, de 2007. O guitarrista Ed O’Brien respondeu: “Nós vendemos menos discos, mas ganhamos mais dinheiro”.

Não é porque o disco foi distribuído de graça que a banda esteja perdendo dinheiro. O U2 só tem a ganhar com a parceria com a Apple. O acordo rendeu provavelmente uma boa grana para os quatro músicos (não foram divulgados valores)- em 2013, Jay Z fez parecido com a Samsung: cerca de 1 milhão de usuários dos aparelhos Galaxy S3, Galaxy S4 e Galaxy Note 2 receberam uma cópia do disco “Magna Carta Holy Grail” gratuitamente (estima-se que Jay Z tenha recebido pelo menos US$ 5 milhões pelo negócio).

E segundo porque são 500 milhões de consumidores que podem ser atraídos para shows, ações de marketing etc. (e a banda ainda se aproxima da geração millenial, que não está acostumada a comprar discos e para quem o U2 é uma banda “ultrapassada”).

Desde “The Joshua Tree “, num longínquo 1987, o U2 está na disputa para ser a “maior banda do mundo”. Parece que voltou a ser.

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012 música | 12:55

Não há banda mais sincera no rock do que o Killers

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Uma das minhas melhores leituras deste feriadão foi o texto “How to live without irony” (como viver sem ironia), escrito por Christy Wampole para o New York Times.

Acadêmica da prestigiosa Princeton, Christy argumenta que a ironia tornou-se um mecanismo de auto-defesa disseminado principalmente entre os hipsters, uma estratégia para evitar lidar de forma direta com o mundo.

Ao ler o texto, lembrei imediatamente do Killers, banda que surgiu indie no início dos anos 00 mas que tornou-se mega logo após o lançamento do primeiro disco, “Hot Fuss” (2004).

A ironia não faz parte do estilo de vida do Killers. Eles não tentam parecer cool associando-se a tendências da hora (quantas bandas roqueiras atuais não se aproximaram do hip hop? Ou do dubstep?); o vocalista Brandon Flowers não tem problema em assumir uma religião (cristã, particularmente mórmon). A música é feita da forma mais direta possível: não há espaço para experimentalismos (faixas roqueiras são baseadas em riffs de guitarra; baladas se apoiam em melodia açucarada; as canções pop são construídas com a ajuda de sintetizadores).

O mais recente disco, “Battle Born”, é quase um manifesto da banda a favor do classicismo roqueiro. Assim, não é surpresa que, em show realizado no sábado (dia 17) na gigante londrina O2 Arena, o Killers tenha feito um cover de “With or Without You”, talvez a música menos irônica de uma das bandas menos irônicas do mundo: o U2.

Não acho que uma banda deva deixar de buscar a originalidade ou que letras e músicas não possam conter toques irônicos, mas é gratificante encontrar uma banda tão honestamente sincera como o Killers.

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